terça-feira, 26 de abril de 2022

Amora

 

Acreditar para conquistar - esse era o slogan mais usado pela doce e dedicada Amora. Ela carregava consigo uma boa dose de alegria e autoestima, mas não tinha sequer uma gota de precaução, falava de seus planos para todos os flamingos do Lago Pink.

_ Espere um pouco! Por que chamar o tal lago de Pink, se na verdade ele era azul? - d. Blanca, a cegonha, perguntou. Eu tive que parar o raciocínio da história para lhe dizer, que o lago se chamava, Pink, devido ao grande número de flamingos rosas que ali passavam o verão, quando as águas do lago ficavam mais baixas, com isso surgiam mais alimentos para eles.

Mas essa historinha é de Amora, para contar um pouco sobre ela e sua mania de ficar contando seus planos para toda a revoada de flamingos, inclusive para as fofoqueiras do bando, Colete, Allegrete e Elisabete. As três coletavam informações sobre os planos e sonhos de Amora e espalhavam por todo o lago, e nada dava certo na vida da doce ave. Ela acreditava que suas amigas lhe eram fiéis, mas as coisas não eram bem assim. Aquelas três morriam de inveja de Amora.

O que acontecia com Amora, acontece praticamente com todo ser vivo. Todo mundo quer sempre compartilhar com os outros suas expectativas e experiências, porque às vezes os desejos e as expectativas são tão grandes que transbordam da boca para fora. Mas como já diziam os antigos, "Guarde seus planos somente com você, não os espalhem aos quatro ventos", um alerta, já que, quando se compartilha planos e sonhos, dá-se aos outros o direito de opinar, criticar, provocando uma mudança de ideias e de energias.

No entanto, mesmo com tantos percalços, perdas de sonhos e de projetos, após muito tempo de decepções, Amora conseguiu realizar um de seus sonhos, a de se tornar uma grande bailarina! E não é que ela também conseguiu encontrar um flamingo para dividir seus dias com ele! Os dois construíram um ninho e foram muito felizes juntos.


Rozilda Euzebio Costa

quinta-feira, 14 de abril de 2022

Gatonis Lau - Literatura Infantil

Se é pra falar de gato, então será do Gatonis Lau, o gato mais fofinho da Rua Amaral, no Bairro Bragantina, na cidade Venceslau.

Todo dia, assim que escurecia, de sua casa Gatonis Lau sumia. Pra onde ia? Ninguém, mas ninguém mesmo, por lá sabia.

No entanto, se podia ter uma ideia, tendo em vista toda aquela ração que sobrava em sua vasilha, mas ninguém podia ter certeza de nada, já que de seu sumiço nada se sabia, e Gatonis mesmo deixando ração na vasilha, nunca emagrecia.

Porém, essa falta de informação das andanças do gato fujão, era somente os humanos que não a tinham, porque a Comunidade das Corujas Madrigais tudo dele sabiam.

_ Gatonis Lau é terrível! - disse o gato Lambão ao grupo de gatos reunidos no galpão, enquanto discutiam estratégias para proteger a ração que desaparecia de suas vasilhas toda vez que anoitecia. Era ele, Gatonis Lau que as comia.

_ Tem que se encontrar um jeito de parar esse sujeito! Será possível que ninguém aqui sabe defender seu pleito?! - bradou o gato Kleito, batendo a pata em seu peito.

_ Eu vou ser sincero, esse gato é muito cara de pau! - disse o gato Severo, referindo-se a Gatonis Lau.

_ Ele vem sempre na surdina e ninguém consegue pegá-lo, só quem viu ele uma única vez foi a gata Serafina. Lembra Serafina? - disse o gato Gervão, esperando de Serafina a confirmação.

A reunião durou o dia quase todo no galpão, e os gatos estavam todos caindo de sono, tinha gato já dormindo de pé, outros, esticados pelo chão enquanto ainda falava o gato Tristão, presidente daquela Corporação. Tristão era o presidente dos Gatos do Bragantina, eleito com quase cem por cento dos votos na última eleição.

Enquanto Tristão ainda falava, avistou Gatonis Lau caminhando por cima do muro do galpão, e agitado gritou:

_ Acordem seus dorminhocos! É ele! É ele! O gato comilão, que toda noite come a nossa ração! - gritava Tristão com muita indignação. Mas a gataiada estava muito sonolenta e teve gato que nem acordou, mesmo com todo aquele alvoroço, continuaram dormindo esparramados pelo chão. Tristão quase infartou, enquanto Gatonis no muro passou.

Assim, nada se resolveu da problemática situação, e Gatonis Lau toda noite sumia, enquanto que, os outros gatos da rua ficavam sem ração, porque Gatonis Lau as comia com sua fome de leão, e depois, quando amanhecia o dia, ele voltava para casa, para dormir confortável no seu fofo colchão.

 

Rozilda Euzebio Costa

sábado, 2 de abril de 2022

Chico Serafim (o Bunitin)

 

Aqui nessa história se fala de Chico Serafim, apelidado de Bunitin! Porquê?! Ora, porque era considerado o caboclo mais bonito do Sertão de meu Deus, lá pelas bandas do Riacho da Égua!

O Bunitin era a sensação das moçoilas, das donzelas e até das mandrágoras selvagens da beira do Brejo do Sapo. Falar de Bunitin é resgatar toda a história do galã que ele foi em sua época de juventude, daqueles cabelos lambidos na testa a custa de azeite de mamona.

Todos os fins de tarde lá no Sertão do meu Deus, o galã Bunitin chegava da lida, pegava sua toalha dura de sujeira, pendurada no arame, feito carne de sol seca, e descia muito depressa para tomar o banho no rio e lavar as suas virilhas, tirar os grudes do sovaco para ficar cheiroso de noite na vendinha do Mané Farinha, onde sentava na mesa do terreiro, e debaixo da lua trigueira e prateada no céu, bebia sua cachaça de alambique, produzida artesanalmente por Pitolomeu, um fazendeiro vizinho, plantador de cana e dono do, Alambique Te Segura Senão Tu Cai. A cachaça era potência pura, e muito apreciada pelos moradores da região.
Por aquelas redondezas as moçoilas se engalfinhavam por causa de Bunitin! Tinha a Maria do Crochê, filha do Mané Farinha e de d. Leôncia, e a Liana, filha do Barnabé e da Mariquinha, que viviam de puxar os cabelos uma da outra por causa do sujeito. Diziam por lá que, as duas, viviam disputando qual delas se casaria com o galã Chico Serafim, o tal, “Bunitin”, o moreno de cabelos lambidos na testa e de canelas finas de dar dó. Aqueles olhos negros e grandões dele, dizia a Amélia, filha do Agripino e de d. Ema, eram a sensação das noites de festas no terreiro da vendinha do Mané Farinha.

Mas quiçá por qual razão, se foi o destino ou alguma simpatia feita por uma das moçoilas apaixonadas por Chico Serafim, ele se embrenhou nas matas e foi viver que nem bicho do mato, não escolheu nenhuma delas para se casar e formar com ele uma família. Bunitin foi viver solitário no meio da floresta. Teve até quem jurasse que ele se tornou o lendário Pai do Mato daquele lugar. Teve até caçador que nunca mais pisou os pés na floresta para caçar, com medo de Bunitin.

E assim, termina aqui essa história que muito foi contada lá nas bandas do Riacho da Égua, onde viveu por um certo tempo, o galã Bunitin, caboclo muito desejado, mas que deixou todas as moçoilas a ver navios para ir morar com os bichos do mato.


Rozilda Euzebio Costa
02/04/2022

Dr. Cágado Boris (O médico do Parque Saint Germain)

Conto Infantil. Literatura Infantil
Todas as manhãs no pequeno lago do Parque Saint Germain, era um tremendo dramaço. Isso porque o médico dos bichos do parque era um cágado! Imaginem só a demora na fila de espera para ser atendido pelo Dr. Cágado Boris! Jurema, a ema, era a que mais reclamava da espera, mas havia também o Zé Bacalhau que reclamava muito. E antes que alguém pergunte, não, ele não era um peixe, era um lagarto com cheiro de bacalhau, daí o apelido, Zé Bacalhau.

Certo dia havia uma fila imensa de bichos para se consultar com Dr. Cágado, o sol estava quente de rachar a moleira, não havia uma tenda sequer para apaziguar a quentura do sol, e nada da assistente do médico, d. Bolinha, chamar os pacientes.

Bolinha era uma capivara muito educada e prestativa. Os bichos tinham por ela o maior respeito. Ela sempre organizava a fila e servia água para todos com gentileza, mas naquele dia d. Bolinha não serviu água para ninguém.

_ Alguma coisa está acontecendo - disse o castor Nestor.

_ Certamente o doutor não veio hoje! - disse o chimpanzé André.

E o tempo foi passando, era já quase hora do almoço, quando o Dr. Cágado apareceu na porta de sua clínica, e diante de toda a multidão na fila, soltou seu brado:

_ Minha gente, tenha pena e tenha dó, será que um médico não tem direito a um minuto para si só? Estou estressado e estou cansado, preciso dar um mergulho no lago, antes que minha paciência dê um nó e me leve embora deste lugar para as terras do Borogodó! - disse o doutor demonstrando imensa impaciência.

_ Mas doutor, o senhor é o rei da paciência, como pode se perder no labirinto do estresse dessa maneira?! - gritou do meio da fila o escorpião João.

_ Para você vê, que paciência tem limite até para um cágado! A gente se cansa também! Estresse é um trem que vêm do muito afazer e do muito preocupar-se. Eu me preocupo com a saúde de cada um de vocês. O furão Sebastião nunca melhorou a ferida do nariz, isso me deixa infeliz! Se me dão licença, vou ao mergulho. Hoje não tem atendimento.

A bicharada foi toda embora para suas casas, não reclamaram mais, porque entenderam que até o médico se cansa e também adoece.


Rozilda Euzebio Costa

sábado, 19 de fevereiro de 2022

Escolha sempre o Perdão

Nenhuma vingança compensa, porque ela só traz tristeza, exposição negativa de imagens e desavenças.

A vingança machuca, fere e deixa cicatrizes que se perpetuam na vida de quem foi ferido e não somente isso, a vingança é negativa na vida das pessoas próximas que também fazem parte da vida do indivíduo que foi o alvo direto da ação. Toda a sua família é atingida diretamente. E quando entre as famílias dos envolvidos têm crianças, o respeito a elas e ao futuro delas é indispensável.

A vingança é um proceder de alto nível de negatividade e regressão, porque ela abre abismos, destrói sonhos, fratura vidas e estruturas consideradas firmes, derrubando pilares importantes na construção do bem e do amor.

A vingança é tão malvada, que não se importa em usar outras pessoas para satisfazer o seu desejo de ferir o seu alvo, causando grandes transtornos e maleficências no resultado de suas ações.

A vingança é inconsequente, ela não tem alma e nem coração, é obstinada no destruir, no satisfazer o seu desejo de humilhar e destruir, impondo suas “forças” e “poder” sobre o outro.

A vingança é um veneno que não destrói somente o seu alvo, mas também a si mesmo, a vingança se autodestrói, é a afirmativa daquele ditado popular que diz “O mal por si mesmo se destrói”, um bordão mais que verdadeiro.

Nenhuma coisa boa pode ser tirada de um ato de vingança, porque a ação de vingar-se está afiliada à destruição, e nenhuma destruição é positiva, traz sem atrelada a si, uma catástrofe que afeta não somente os envolvidos principais, mas a todos que fazem parte de suas vidas.


Rozilda Euzebio Costa
19.02.2022

terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

Vagão 8, um conto inspirado em histórias reais


Naquela manhã de junho tudo parecia meio ofuscado, o céu não se mostrava tão nítido como nos dias anteriores, as paisagens não se mostravam com exatidão.
Na estação, um aglomerado de pessoas num vai e vem sem fim, cada mente com seus próprios pensamentos e seus próprios sonhos e desafios. Muitos viajando a trabalho, enquanto tantos outros estavam em busca de um significado de sua própria existência.
Existe uma necessidade no ser humano em desafiar suas forças e seu destino, numa estação se pode ver um encontro de destinos desencontrados e desafiados. Você olha para algumas pessoas tão frágeis e se questiona; como pode alguém assim, estar viajando sozinho?!
Enquanto algumas pessoas tentam encontrar o seu destino, outras fogem dele como quem foge da morte, são mentes desafiando a si mesmas, numa tentativa de burlar as expectativas contrárias que o destino lhes apresenta.
No vagão 8, do trem que acabara de sair da estação de Roma(IT) com destino a Veneza, se podia notar muito bem que, cada passageiro trazia consigo uma história importante, alguns até, com cicatrizes dolorosas no coração.
Havia ali, naquele vagão, que já acumulava milhares de outras histórias de passageiros que passaram por ele, cinco novas histórias. Eram dois brasileiros, uma inglesa, uma espanhola, e um indiano.
No fundo, as pessoas fogem de si mesmas enquanto acreditam que estão fugindo de situações que não gostariam de vivenciar dentro de seu mundo real de vida. Ou mesmo, acreditam que vão encontrar a felicidade num lugar distante, longe de suas próprias realidades.
Um médico brasileiro muito abatido, cabelos grisalhos, meia idade, olheiras profundas, e uma necessidade aparente de solidão. Com olhar baixo e sorriso forçado, por ter perdido a esposa recentemente, vitima de um câncer terminal, ele não demonstrava tanta satisfação em estar naquela viagem. Acompanhado de sua filha, uma bela mulher de pele morena e cabelos castanhos longos, com fios de luzes douradas dando-lhe um belo aspecto, ainda com a força da juventude a seu favor, o médico tentava fazer boa presença com os colegas de vagão. Percebia-se bem que ele sentia que estava amparado pela filha, confiava nela, era a filha que conduzia as decisões importantes. Talvez a filha fosse a sua única razão de ainda se esforçar para viver a vida que insistia em lhe cobrar ação. A filha comprara para os dois, um pacote de viagem para a Europa. Acreditava que esta viagem poderia reanimar seu pai, fazê-lo sentir a alegria de viver novamente, podia trazer ele de volta aos seus ofícios de médico com o mesmo ânimo de outrora, de quando a mãe ainda era viva. Após a morte da mãe, seu pai caiu em profunda depressão, pois a esposa era seu esteio, seu ombro, sua alegria. A despedida para sempre de sua esposa lhe deixara cicatrizes profundas na alma.
Uma jovem inglesa, de olhos verdes vívidos, pele muito alva, cabelos claros encaracolados e uma expressão de firmeza e contentamento com sua nova vida na Europa. Ainda meio enrolada com a nova língua, se fazia entender entre palavras repedidas do italiano, gaguejo e sinais. Falava de sua nova experiência com muito entusiasmo aos demais passageiros. Estava fazendo um curso em Roma, se sentia bem adaptada na cidade eterna.
Uma espanhola em busca de respostas, falando o italiano até razoavelmente, talvez, o conhecimento da língua do país tenha lhe ajudado a compreender os demais passageiros. Dentro daquele vagão de trem, todos queriam falar o italiano, afinal, não interessa de onde seja uma pessoa, se ela está na Rússia, deve se esforçar para falar a língua russa, se está na Itália, obviamente, se esforçará para falar o italiano. A jovem, de pele clara, alta, forte e destemida, cabelos ruivos e olhos castanhos, não tinha tanta vontade assim de falar, assim como o médico brasileiro, ela também sentia uma necessidade de silêncio e solidão. As conversas paralelas do vagão lhe incomodavam de certa forma. Percebia-se muito bem a sua inquietação com o barulho da fala dos demais. Aquela mulher sentia uma necessidade incessante de descobrir a razão de sua própria existência. Trazia em sua mente tantos questionamentos sem respostas. Não se sentia completa. Vivia a vida como quem está num sonho confuso, onde tudo parece não ter uma forma concreta e firme. Mesmo com o incômodo dos falatórios dentro do vagão de nº 8, a espanhola procurava transmitir um pouco de simpatia para não parecer tão insociável.
É impressionante como algumas pessoas se socializam com muita rapidez, e como também se acostumam e se adaptam a novos lugares com tanta facilidade. São pessoas que realmente poderão viver em qualquer parte do mundo, que vão sempre florescer e frutificar como se estivessem em sua terra nativa. Acredito que pessoas assim possuem um espírito livre, forte e destemido.
Um indiano, com sua pele morena e cabelos lisos, ainda muito jovem, de estatura mediana, olhos negros e um pouco vesgos, parecia ser muito simpático e sociável. Ansioso para se fazer entender aos demais passageiros, conversava pelos cotovelos, gesticulava como se estivesse regendo uma orquestra sinfônica. Seu domínio à nova língua ainda era muito precário. Conseguia-se compreender mais pelos seus gestos do que pela sua fala. Mas percebia-se bem que a jovem inglesa simpatizara muito por ele através da atenção que lhe dava e pelo tempo que despendia com ele.
Quando se está em viagem, se pode ver o outro lado da vida que se passa além das nossas moradas. Há um vai e vem de pessoas nas estações que chega a ser impressionante. Muitos estão a trabalho, mas uma grande maioria destas pessoas está apenas buscando respostas que não encontram em suas casas, em suas origens. Há pessoas perdidas em si mesmas, que não conseguem compreender a vida como ela se lhes apresenta. Muitos se rebelam e fazem as malas, saem pelo mundo em busca de respostas.
Há quem foge de si mesmo entre uma estação e outra, entre um aeroporto e outro, e há quem nunca se encontra, passando a vida toda numa busca constante e angustiosa de sua razão existencial.
Há quem, com pés ligeiros, toma um caminho e segue, acreditando que lá, muito além, irá encontrar o que procura.
Existe aquele, a quem a coragem lhe é amiga, lhe toma pelas mãos e lhe ajuda a caminhar até que se encontre em uma nova terra.
Existem ainda aqueles que acreditam ser de outro mundo e não se adaptam ao mundo em que a vida lhes inseriu. E muitos destes se perdem por caminhos e encruzilhadas, na busca constante do próprio mundo.
Há também aqueles que não reconhecem nem a própria família, acreditam que todos os membros lhes são estranhos, se sentem um membro inserido num corpo estranho, e por isso, desbravam o mundo à procura de uma família da qual acreditam pertencer.
Há quem acredita não ter vindo para ficar, e por isso está sempre de malas prontas para partir. São passageiros constantes da vida. Estão sempre de estação em estação, de aeroporto em aeroporto, numa certeza de que a próxima viagem talvez seja a última.
No fundo mesmo, todos nós somos passageiros da vida, e estamos na estação do tempo. A qualquer momento, o nosso trem pode chegar, e deveremos embarcar nele para partir, deixando para trás todas as nossas ansiedades, conflitos, e planos.

Rozilda Euzebio Costa

sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

Fefê, a rosa esquecida

 

_ Você já viu Fefê? - perguntou o grilo Miúdo ao vizinho também grilo, Bambolê.

__Quê? Não sei de quem se trata, nunca nem ouvi falar nessa tal Fefê! Quem é? Você pode me dizer? - o amigo Bambolê, curioso que era, quis logo saber.

Então, o grilo Miúdo, o único que prestava atenção à rosa Fefê, começou a contar para Bambolê a história daquela rosa que ninguém prestava atenção, e nem faziam questão de ver.

_ Dizem, amigo Bambolê, que aquela rosa desde que nasceu, é desprezada por todo o jardim, ninguém olha para ela, ninguém quer tê-la como amiga, e as poucas vidas do jardim que a olham, fingem não ver a pobrezinha. Eu sou o único que às vezes passa por lá e a cumprimenta. É triste ver a sua solidão.

_ Mas existe explicação para tamanha exclusão? - perguntou abismado, Bambolê.

_ Não. Não há nenhum motivo, pelo contrário, ela é até bonita, e faz tantas coisas legais, mas ninguém a admira, é como se ela nem existisse nesse jardim. Tem lagarta falando por aí que Fefê não pertence a este jardim, foi plantada aqui por engano, pelo jardineiro Serafim, que distraído trouxe uma mudinha no meio das flores azaleias. Ao começar a plantar as mudas, se deparou com o galhinho dessa rosa, e no jardim de azaleias plantou. Desde então, ela está sempre sozinha, e quando flora, só dá uma flor por vez. Fiquei curioso pra saber, dessa floração de apenas uma rosa por vez. Daí, ela me explicou:

_ Ah grilo Miúdo, para viver triste e sem visibilidade, basta apenas uma rosa para passar por esta aflição. Você não imagina o quanto é triste quando ninguém nos presta atenção. Parece até que a gente vive em um deserto sem coração! Embora cheio de outras vidas aqui neste jardim, ninguém me vê, ninguém olha para mim...

Quanta tristeza se via naqueles olhos de flor! O grilo até chorou e prometeu às vidas do jardim questionar, mas ele não podia fazer muita coisa, as vidas do jardim eram orgulhosas demais para ouvir, da rosa alguma coisa ele falar.


Rozilda Euzebio Costa

sábado, 8 de janeiro de 2022

SPHAYK, ALÉM DOS LIMITES

Era para ser uma daquelas missões intergalácticas vitoriosas, onde pudéssemos levar auxílio a planetas que estivessem necessitando de ajuda. Tínhamos as ferramentas necessárias para executar a nossa colaboração, levando o nosso auxílio para ajudar milhares de seres pelos universos e galáxias.

Saímos do Planeta Akau, da Galáxia Phyront no Universo de Kosik, com destino a Terra na Via Láctea, nossa nave e a nave socorrista. Nunca vamos a uma missão sem ela. Por algum tempo permanecemos na Constelação de Órion, auxiliando seres de outras galáxias que tiveram problemas técnicos em suas naves enquanto estavam em viagem estelar. Há em Órion, um ponto de parada de naves em viagens estelares. É como uma grande estação onde se pode descer, fazer revisão nas naves e também descansar para repor as energias. Em Órion se encontra um dos pontos mais destacados de auxílio a viajantes estelares dos universos próximos, com tecnologias muito avançadas.

Depois que saímos de Órion, alcançamos alta velocidade e avançamos muito, parecia tudo normal em nossa viagem missionária intergaláctica.

No entanto, algo na missão falhou, talvez nossa nave não estivesse em condições apropriadas para a grande viagem pela Via Láctea. Nosso destino era o Planeta Terra, e conseguimos avançar bem pelo Sistema Solar, atravessamos com sucesso todas as camadas da atmosfera da Terra, mas no momento do pouso, de repente, perdemos o controle total da nave, o piloto automático parou e todos os botões de controle entraram em conflito, nada funcionou no painel da nave. Caímos bruscamente e houve uma grande explosão...

Não me lembro de muita coisa, mas tenho um lapso de memória do momento do nosso resgate pela nave estelar socorrista que sempre nos acompanhou em nossas missões. Eu gritava, mas eles não me ouviam, eu tinha caído em um distrito habitado por humanos, a uma distância de mais de um quilômetro terreno. Os socorristas não me escutavam, seus equipamentos de localização não me localizaram. Embora eu fizesse um esforço grande para alerta-los de que eu estava ali, era sem sucesso. Tentava usar meu localizador de pulso para sinalizar a eles que estava vivo esperando pelo socorro, mas o localizador entrou em conflito também, e não emitia os sinais precisos para que a equipe da nave me localizasse.

O tempo passava, e eles, preocupados com a possibilidade de serem vistos pelos humanos, e sem saber ao certo como iriam ser vistos e recebidos, decidiram partir, me deixando para trás.

De longe eu observava meu pai entrando na nave socorrista, os outros tripulantes foram salvos também, mas eu fiquei para trás, fiquei na Terra...

O sol começava a despontar e os terráqueos começaram a trafegar próximo de onde eu estava, mas era interessante, eles não me viam, mas eu os via e ouvia! Os animais me sentiam, sentiam a minha presença.

Passei anos terrenos treinando para uma manifestação com os humanos, mas não obtive sucesso. Eu era um foco de luz, apenas um foco de luz na Terra, o que os humanos chamam de espíritos e de visões de outro mundo. No impacto da minha nave no chão da Terra, meu feixe de luz de vida saiu do meu corpo. Fiquei vivendo como um andarilho, me alimentando de energias cósmicas trazidas pelos orvalhos da madrugada. Ninguém nota isso, mas os orvalhos estão repletos de energias cósmicas.

Fui vivendo atordoadamente como feixe de luz, até que um dia, uma cadela estava para ter filhotes, então pensei, porquê não? Posso me tornar um cãozinho e assim viver visível entre os humanos! Eu tinha apenas alguns segundos para mergulhar no túnel que a luz de vida se utiliza e entrar em algum daqueles cãezinhos que iria nascer naquele momento. Fiquei na expectativa para a grande tentativa. Seria talvez um golpe de sorte, conseguir adentrar como espirito vivente no filhote.

Assim se deu, fui com tudo no momento do nascimento do templo canino. Um grande clarão inundou tudo em volta, eu perdi por um instante todos os meus sentidos de ser de Akau.

Certamente após aquele instante de imersão no corpo de um cão, eu deixaria parte de minhas memórias para trás, já que, a estrutura mental de um cão não suportaria as minhas atividades mentais como um ser diferente em composição mental.

Alguns meses terrenos depois, eu estava vivendo como um cãozinho, algumas de minhas lembranças iam e viam como flashes esporádicos. Eu não sabia me comportar como um cão normal, eu era extremamente rebelde, queria morder todo mundo, como se todos aqueles humanos tivessem culpa do que aconteceu comigo. Eu nunca fui mau na minha vida antes de me tornar um cão, pelo contrário, eu sempre tinha um sentimento de solidariedade e fraternidade com todos os seres vivos.

Os meus maiores conflitos na minha vida como um cão, eram os motoqueiros, bicicleteiros e alguns carros, eles me incitavam um sentimento de raiva e de ira, talvez porque no meu subconsciente de ser intergaláctico, eu sabia que tinha sido deixado para trás naquela missão. Eu não me conformava de ter sido deixado na Terra. Constantemente me vinham os flashes da partida da nave socorrista, me deixando sozinho na Terra, sem ninguém do meu planeta ali comigo.

Todos aqueles filhotes nascidos naquela noite foram abandonados na rua, e passaram cada um a se virar à sua maneira para sobreviver. Eu cresci na rua. Era alimentado pelos humanos que viviam na vizinhança de onde fomos abandonados, todos aqueles humanos de certa forma me ajudavam a sobreviver naquele ambiente que não era o meu ambiente, naquela vida de cão que não era a minha vida. Os outros cãezinhos nascidos naquela noite não sei que rumo tomaram.

Quando eu estava dormindo, eu tinha sonhos com o meu Planeta e com a minha família. Sonhava com as viagens em missões junto ao meu pai, mas quando acordava, me sentia angustiado, e uma dor enorme tomava conta de mim. Mas eu era um cão e não sabia identificar tais sensações como sendo a falta incontrolável de minha família e do meu verdadeiro lar.

Nesse impasse, vivendo de memórias vagas no corpo de um cão, muitos anos se passaram. Eu diria que vivi, talvez, uns sete ou oito anos humanos como um cão, naquela vida rebelde, mas ao mesmo tempo, doce, com o carinho que recebia de alguns humanos.

Havia um humano terráqueo em especial, que começou a construir uma casa em um pedaço de terreno na rua que eu morava. Eu gostei dele, sabe! Era cantor e me parecia ter um espírito milenar, eu via isso nos olhos dele. Ele me tratava bem. Comecei a me tornar seu amigo, vigiei a construção dele por meses, até que ele terminou de construir e se mudou para lá com sua companheira. Ele tinha outro cãozinho, uma miniatura de cão, eu era bem maior que o outro cãozinho. Ficamos amigos, eu e o cãozinho, mas o pequenininho era fujão, quando o humano abria o portão ele saia em disparada, eu estava sempre tentando defender ele dos outros cães da rua.  

Depois que o humano mudou para a construção nova na minha rua, ele e sua companheira passaram a me alimentar todos os dias. Muitas vezes eu dormia na área da casa deles. Eu também fazia buracos no quintal deles, o humano cantor ficava meio aborrecido comigo... Meio nada! Ele brigava muito, mas eu nem me importava com as brigas dele, lá eu me sentia em um lar.

Depois de alguns anos eles tiveram uma filhinha, e as coisas seguiram um ritmo normal por muito tempo.

Toda aquela vida não era assim tão normal para mim, e quando eu estava em meus extremos conflitos, eu ficava transtornado e queria morder as pessoas que passavam na rua. Pobre dos carteiros! Eu sempre queria morder eles, não sei o porquê dessa raiva dos carteiros.

Um dia mordi um humano malvado e ele tentou me matar, me deu uma facada e cortou uma de minhas orelhas... Eu quase morri, sangrei muito e senti dores incontroláveis pelo meu corpo. Os humanos da rua se juntaram e me levaram a uma clínica, pagaram o meu tratamento. Fiquei internado por quase uma semana, depois voltei para casa e fui cuidado pelo humano cantor e sua companheira. Eles me deixaram na área da casa deles, me davam os remédios e cuidavam de mim enquanto minha saúde de cão era recuperada.

Faltou-lhes dizer que, enquanto estive à beira da morte internado na Clínica, eu sonhava constantemente com minha família no Planeta Akau. Eu via meu pai e minha mãe ao redor do leito me olhando e sorrindo para mim. Eu tinha dúvidas se era mesmo um sonho ou realidade projetada. Em nosso Planeta, projetamos realidades a milhões de anos luz, como essas apresentações ao vivo que fazem na Terra, só que em Akau, temos tecnologia que avançam galáxias distantes, adentram outros universos e chegam a um destino tecnologicamente programado, projetando realidades a milhões de anos luz de distância.

Mais de um ano terráqueo se passou depois de minha quase morte como um cão. Eu já estava até me esquecendo de minha verdadeira vida fora daquela vida de cão que levava, já estava habituado a viver como um cão, comendo restos de comida nos lixeiros das ruas e dormindo tranquilamente pelas calçadas.

Porém, a vida de um cão tem a duração bem inferior que a vida dos humanos. E um dia, comecei a me sentir perturbado e já não me via inteiro como um cão.

Comecei a ter visões estranhas a noite e sentimentos de confusão, eu não as compreendia. Por noites seguidas vi um veículo todo iluminado passando perto de mim, como se estivesse em outra dimensão, mas, no entanto, eu podia vê-lo. Era uma nave espacial, mas eu não sabia mais o que era uma nave, como era uma nave. Enquanto cão, havia me esquecido dos veículos espaciais e das grandes naves intergalácticas todas iluminadas. Me senti assombrado quando comecei a ver tal nave que, todos os dias terrenos, depois da meia noite, ela passava pela rua que eu morava. Eu via os rostos de alguns tripulantes sendo projetados através de hologramas, parecidos com janelas. Dava a impressão de que eles estavam procurando alguém ou alguma coisa. E estavam! Ele estavam me procurando! Era o meu pai me procurando, ele já sabia que o meu feixe de luz de vida estava vivendo dentro de um corpo de cão, mas eu ainda não sabia que era o meu pai.

Na terceira noite após estas visões, eu estava dormindo pesadamente, deitado na rua sem me preocupar com o perigo, quando, de repente, um veículo terreno, conduzido por um humano inconsequente, veio em alta velocidade e me atropelou. Eu levei um grande choque, surgiu um imenso clarão diante de mim, e eu vi a nave que, dias antes. havia visto em minhas visões.

Após o abrupto impacto do veículo terreno sobre mim, eu era novamente apenas um feixe de luz. Eu olhava atordoado para os tripulantes da nave enquanto eles caminhavam em minha direção. Um deles era o meu pai, e eu o reconheci no mesmo instante em que olhei para ele. Eu queria abraça-lo, mas como feixe de luz, eu não tinha matéria física firme, o meu abraço atravessou o corpo dele de um lado para o outro. Ele falou comigo, eu consegui ouvir sua voz. Ele me pediu para acompanhar ele, e eu fui. Enquanto íamos para o interior da nave ele começou a me explicar o que tinha acontecido comigo.

No interno da nave havia um leito e o meu corpo estava lá, era incrível, parecia adormecido, eu estava fora dele, mas sabia que era o meu corpo. Um ser ancião veio em minha direção, e me pediu para chegar próximo ao meu corpo que estava no leito. O ancião, com um aparelho nas mãos, aproximou-o de mim e me fez sentir um grande choque, um impacto tão grande como o impacto que me tirou do corpo daquele cão.



Após alguns minutos, recobrei a consciência e percebi que já estava no meu corpo, sim! Era eu! Inacreditável me ver novamente no meu corpo, mas eu ainda não estava compreendendo nada. Meu pai veio em minha direção e nos abraçamos demoradamente. Ele me falou do quanto sofreu naquele dia em que nossa nave havia caído na Terra e se destroçado toda. Me falou de minha mãe e de minhas duas irmãs, do quanto elas sofreram e da expectativa que elas tinham de me ver novamente.

Meu pai me explicou todo o processo do meu retorno, e o mistério do meu corpo estar intacto. Eu não sabia, mas ele, cuidadosamente antes de partirmos para a nossa missão, havia clonado nossos corpos materiais e os manteve conservados, com o uso de tecnologia desenvolvida por cientistas de nosso planeta. Eu fui a primeira experiência do projeto dos cientistas de Akau, e deu certo. Graças ao meu corpo clonado, meu feixe de luz de vida teve a chance de voltar a viver a vida de antes com o meu corpo no meu planeta e com a minha família.

No entanto, devo esclarecer uma coisa – como meu pai me encontrou? Como ele sabia que eu estava vivendo a vida de um cão? - Depois de minuciosos estudos e pesquisas, viagens missionárias e rastreamentos na área do acidente e próximo a ela, ele havia detectado o meu feixe de luz de vida a viver dentro de um cão. E mais ainda, ele localizou o cão! Isso foi incrível.

Meu pai é um ser de mente muito avançada, sua mente tem capacidade de avançar telepaticamente longas distâncias. Ele se comunica com tripulantes de nossas naves com a utilização do pensamento. Ele perdeu a conexão comigo porque a minha mente estava em profunda perturbação logo depois do acidente com a nave, e depois, passei a viver com a mente de um cão, daí se tornou impossível ele se comunicar comigo.

Os estudos do meu pai e de sua equipe fantástica, mostraram que só havia uma maneira de eu voltar a ter a minha vida e retornar para o meu planeta, precisava ter o meu corpo de volta, entrar dentro dele novamente, seria até para os cientistas um trabalho muito sensível e arriscado.

Aquela noite do resgate foi marcante em minha trajetória de vida e de missionário intergaláctico. Ao recobrar meu equilíbrio e dialogar novamente com meu pai e toda a tripulação, tive a certeza de que não irei parar com o meu trabalho junto ao meu pai, faremos outras viagens por outros universos, galáxias e planetas. Serei como o meu pai, um missionário incansável.

 

Sphayk

 

Um conto de ficção, escrito por: Rozilda Euzebio Costa

08/01/2022

sábado, 18 de dezembro de 2021

Lo Specchio davanti l'Individuo

Lo Specchio davanti l'Individuo

Davanti a ogni specchio si trova un individuo portatore di un mondo intero di aspettative fraintese da lui stesso e dalla società di cui lui fa parte. E ogni essere umano vive una lotta costante per capire i suoi sentimenti e i suoi conflitti esistenziali.

C'è sempre qualcosa che metti l'individuo a litigare con i suoi pensieri e con i suoi sentimenti, principalmente quando quello che lui pensa e sente non è in sintonia con la sua realtà.

Forse il più grande insuccesso dell'individuo sia generato per la sua paura di mettere fuori di sé lo che desidera di vivere.

C'è sempre un immenso confronto tra quello che l'individuo vive, sente e fa, e quello che lui veramente desidera di vivere e essere.

Lo individuo viene sempre giudicato dal parere degli altri, e la loro opinione danneggiano i suoi sogni e le sue scelte di vita.

Nessuno mai è in grado di essere considerato perfetto sulla visione e analise degli altri che lo guardano da fuori il suo modo di vivere.

E mentre il tempo va poco a poco consumando la forza vitale dell'individuo, lui va anche perdendo i suoi sogni per le strade della sua vita, lasciando ai margini dei suoi cammini, quello che poteva essere una sua grande conquista se lui non avesse perduto il coraggio di lottare contro la paura dell'individuo davanti allo specchio e la opinione degli altri.

Rozilda Euzebio Costa

domingo, 22 de agosto de 2021

Centaurus

 
Centaurus era a iguana mais de boa que havia no pedaço, ou melhor, na casa de Manfred. Sim, porque naquela casa havia uma iguana para cada janela!! Isso porque os filhos de Manfred adoravam as iguanas.

Dizem que as iguanas normalmente se comportam como seus donos, adotando suas características. Talvez seja exatamente por isso que a iguana de Jota, na verdade, João Alfredo, era assim, de boa, porque Jota era um jovenzinho muito tranquilo e da paz. Sua iguana, Centaurus, era do mesmo jeito. Pensem em uma iguana tranquilona!! Nada lhe incomodava, nem mesmo os gatos da casa, que também não eram poucos! Dá pra imaginar uma casa com gatos e iguanas convivendo juntos em perfeita harmonia? Pois é! Lá na casa de Manfred eles se davam muito bem.

A mãe de Jota, dona Carolina, implicava um pouquinho com Centaurus, pouquinho não, melhor dizer, bastante! É que Centaurus comia suas plantas, deixava somente os talinhos! Bastava elas começarem a brotar novamente, lá ia Centaurus escondido e comia os brotinhos de novo. Talvez ele fizesse mágica para Carolina não pegar ele comendo suas plantas. Mesmo assim, ela também gostava das iguanas, e até comprava casaquinhos para elas. Centaurus tinha uma estilo Elvis Presley! Quando o vestia ficava todo estiloso.


Rozilda Euzebio Costa

domingo, 15 de agosto de 2021

Zebreu e Zequinha


 Ninguém jamais poderia imaginar que Zequinha ganharia de presente do seu avô, o cavalo mais companheiro e veloz daquela região. Mas foi isso que aconteceu quando Zequinha completou seus tão esperados 18 anos.

Naquele aniversário Zequinha compreendeu que o seu destino e o de Zebreu estavam ligados para sempre.

Dizer que o destino dos dois estavam ligados para sempre não era exagero, porque Zebreu seria o melhor companheiro que Zequinha poderia ter. E foi isso que aconteceu durante os anos seguintes de convivência. Os dois se davam muito bem, Zebreu ajudava Zequinha nas lidas da fazenda e ainda faziam grandes passeios juntos pelos campos. Foi em um desses passeios que eles encontraram Sisi, a raposinha.

Os ensinamentos que Zequinha aprendeu sobre o amor e o respeito com os animais veio deste vínculo de amizade com Zebreu. Os dois se ajudavam nas tarefas da fazenda, e Zequinha tratava muito bem de seu cavalo, dava banho nele no riacho, escovava seus pelos e tratava de seus cascos. Isso era um dever que Zequinha cumpria com gosto, uma forma de agradecer por sua ajuda na fazenda.

Quando Zequinha se casou com Lina, o amor de sua vida, advinha quem levou as alianças até os dois no altar? Foi Zebreu!! E foi lindo ver o cavalo seguir por aquela passarela com o chão coberto de rosas!! E todos se emocionaram com a cena.

Amigos para sempre! Os aprendizados que Zequinha teve com Zebreu jamais seriam esquecidos.


Rozilda Euzebio Costa
15/08/2021

Sisi (A Raposinha)

Sisi vivia na Fazenda do Zequinha, um homem muito bom que a todos ajudava, sem impor condições ou cobrar favores.

Quando Zequinha viu Sisi pela primeira vez, por ela caiu de amores. Era o filhotinho de raposa mais lindo que ele já havia visto! Talvez fosse porque seu coração era muito generoso, ou porque realmente, Sisi era uma coisinha doce e linda.

Naquele descampado Sisi estava sozinha naquela tarde em que Zequinha resolveu cavalgar com seu cavalo veloz, chamado de Zebreu.

Pocotó, pocotó, pocotó, pocotó... De repente, os olhos de Zequinha se depararam com aquela coisinha pequenininha e alaranjada na beira da moita de capim dourado. Ela estava quase camuflada em meio ao arbusto, e por pouco não passa despercebida pelos olhos do moço.

Zequinha desceu de seu cavalo e a pegou nos braços, era tão pequena e fofinha!! Mas a maior preocupação de Zequinha era encontrar a mãe do filhotinho.

Com a raposinha nos braços começou a caminhar nos entornos para ver se avistava a mãe do bichinho.
Para a tristeza de Zequinha, depois de alguns minutos procurando pela raposa mãe, acabou por encontrá-la já sem vida, caída nos arbustos.

Depois de analisar minuciosamente, descobrira que a mãe do filhotinho tinha sido picada por uma cobra venenosa.

O moço ajeitou o filhote em seu embornal e a levou para casa. Adotou-lhe e deu-lhe o nome de Sisi.


Rozilda Euzebio Costa
15/08/2021

terça-feira, 20 de julho de 2021

Verdade & Mentira (Profundas análises), por Rozilda Euzebio Costa

 

Nada é tão amargo e inquietante quanto a Verdade quando explode em meio às doces palavras da Mentira, enfeitada e maquiada para a representação de uma peça.


Quando a Verdade entra no palco, a Mentira escolhe bem depressa uma fala convincente para não perder a sua pose de majestade.

Mas a Mentira nunca terá força para enfrentar a Verdade, e quando a Verdade entra no palco, a Mentira é despida e apresentada a toda a plateia, que de horror, grita ferozmente – Fora daqui sua falsa! Você não engana mais ninguém! A tua esperteza se tornou a tua pedra de tropeço!

A Verdade amarga no início, mas no final se torna doce quanto o mais puro mel colhido nos jardins da natureza divina.

A Verdade é mais clara que as águas de uma fonte cristalina, é tão pura como o ar das alvoradas.

Não existe inocência em ações planejadas, o que existe é uma forma de trama que se comporta com esperteza para alcançar um alvo ou um objetivo.


Numa representatividade fabulosa podemos colocar no palco de um teatro dois atores inusitados, que, em cena, farão os seus papéis de forma quase convincente.

No palco cênico, uma Mariposa desejosa de luz e uma Raposa pronta para lhe prender debaixo de seus pés e satisfazer os seus desejos mais sórdidos.

Neste ato, a Mariposa que se mostra sensual, e ao mesmo tempo, frágil, vai colocando em ação os seus planos para ludibriar a Raposa e com isso alcançar a sua lâmpada mágica.

E por outro lado a Raposa que, maquiavélica e calculista, trama por muito tempo na surdina as suas ações para caçar e prender a Mariposa debaixo de suas patas e assim, dominá-la por completo, somente para chama-la de sua, elevando a sua imagem de Raposa esperta.

Existem tantas mentiras pérfidas se vestindo com as vestes da verdade que às vezes se torna difícil de saber quem é a Verdade e quem é a Mentira na história contada pelas bocas anunciantes.

Você olha para as cenas de um ato e se pergunta – Isso é realidade ou apenas arte representativa? É uma peça com atores ou um romance real no deserto?

Então aparecem de repente espectros cúmplices que dizem – Não! Não é uma realidade, é apenas uma miragem diante dos olhos do Mundo!

E o Mundo já amargado com tantos percalços, quase acredita na Mentira que tenta tomar o lugar da Verdade, mas o ser forte e invencível chamado de Bom Senso, vem e joga um balde de água gelada na cabeça do Mundo – Acorda! Acorda Mundo! A verdade é tão clara, não se deixe enganar!!

O Mundo já está tão mergulhado no mar das ilusões que precisa fazer muito esforço para decifrar os enigmas quase perfeitos elaborados pela pérfida Mentira, que visa ludibriar a Humanidade. Os olhos veem a Verdade, mas não acreditam nela de imediato, e a Verdade precisa fazer muito esforço para desmascarar a Mentira.

Pobre Verdade, que às vezes desmaia de horror diante de tanta Bestialidade que, dançando nos palcos do Mundo com sua sensualidade desprovida de bom senso e de caráter, vai representando um papel daquilo que nunca foi e jamais será.


Rozilda Euzebio Costa
20/07/2021

segunda-feira, 19 de julho de 2021

Amor, Escolhas e Comportamento, por Rozilda Euzebio Costa

Para falar de amor é preciso compreender as estruturas emocionais que o envolve, e não somente as aparências idealizadas com base apenas na beleza, na juventude e na representatividade do exibicionismo na sociedade.

O amor mesmo, aquele sentimento que realmente pode ser definido como AMOR, é uma fibra inquebrável que parte diretamente do coração para externar-se transbordante e grandioso diante da vida, ele não nasce de fora para dentro, mas sim, de dentro para fora.


Uma grande parcela da humanidade fala de amor sem domínio nenhum, são pessoas que apenas falam do espectro frágil que os ilude com vestes de amor, mas que no fundo são sentimentos que nasceram de suas expectativas orgulhosas e egoístas. E aí vem um alerta importante – Há histórias que não valem uma vida, porque podem destruir a imagem de um homem e tudo que ele terá construído até dar um passo em falso com uma atitude impensada.

Uma pessoa não sabe o que é o amor quando usa de estratégias pérfidas para atrair parceiros que julga lhe dar visibilidade e status de conquistador(a) diante da sociedade, isso está mais para idiotice do que exatamente um erro de estratégia.

Não se sabe o que é amor quando se ignora a simplicidade para correr em busca de notoriedade ao captar parceiros que ajudem a alimentar o ego de caçador(a), isso está mais para orgulho e vaidade do que exatamente um engano.

Nunca será um engano quando se usa estratégias planejadas para angariar uma conquista.


A palavra A M O R nasceu para definir o sentimento mais puro e forte quando é vivenciado em sua totalidade e veracidade, porque o amor é tão sensível, que é capaz de não enxergar os defeitos da fisicalidade, traspassando direto para as qualidades da alma do outro.

Uma pessoa nunca terá amado de verdade, se apenas teve relacionamentos ancorados na beleza física, na juventude, na posição e na celebração da notoriedade social, sem vivenciar os sentimentos nobres de seu coração.

Vivendo de relacionamentos transitórios e cheios de intenções puramente pessoais, o ser humano apenas angaria para si mesmo a solidão, sofrimentos e perda de confiabilidade. Também adquirirá diante de seus patrícios, uma fama de perdedor(a) e de sofredor(a). E dependendo da situação, vai perdendo a confiabilidade e a própria dignidade diante da sociedade, adiando a felicidade em vivenciar o verdadeiro amor nascido no coração, na incondicionalidade e da sensibilidade.

A imaturidade não justifica atitudes perigosas no trato da conquista sentimental, há um perigo quando não se observa a importância da análise comportamental diante da sociedade. Uma vez que uma pessoa caia na malha perigosa das infrações sociais em seus relacionamentos, se torna quase impossível reverter uma história complicada e que pode vir a ser julgada por leis humanas.


O tempo passa numa velocidade incrível, e vai deixando seus rastros pela nossa fisicalidade. A vida vai embora sem dar uma chance a ninguém de voltar atrás no tempo e refazer escolhas e projetos, isso é uma realidade que boa parte da humanidade não leva em consideração na hora de fazer uma escolha, por isso acaba sofrendo o resultado de escolhas mal feitas e impensadas, sem poder voltar atrás e corrigi-las.

Uma vez que se faz uma escolha, esta, se tornará conhecida pela sociedade e fará parte de uma história que será julgada à maneira de cada um que dela toma conhecimento.

E por mais que se tente apagar uma ação impensada ou mal planejada, não se conseguirá mais, não será nunca mais possível, se a sociedade dela já tomou conhecimento.

A vida de um homem é representada por suas escolhas e ações, são elas que se tornarão o livro que definirá o que ele já foi e o que ele está sendo no agora. Suas condutas diante da sociedade são levadas a conhecimento público, e o mundo irá ler este livro e interpretar conforme sua cultura primária, estabelecidas pelos princípios de cada um, e pelos princípios universais da vida.


Rozilda Euzebio Costa
19 de julho de 2021

sexta-feira, 2 de abril de 2021

Cristalinidades





Busco em teus olhos os cristais do universo,
mostra-me as estrelas em seus palacetes,
projetando seu brilho como diamantes.
Depois, me escreva um verso ou um reverso,
onde cada linha escrita que eu leia,
sejam linhas do teu corpo para eu trilhar,
com minhas vontades contidas e tímidas,
embaladas em pacotes de presente
com laços de fitas para lhe entregar.
Busco em teus olhos o cristal do tempo,
deixe-me ver o teu relógio escondido
guardado no bolso de teu casaco,
quero ver que horas ele está marcando,
não suporto mais pelo futuro esperar.
Acelere os ponteiros do tempo
para que possa logo te encontrar,
vamos tomar o primeiro trem para Saturno,
talvez o nosso castelo de pé ainda esteja lá.
E os campos de flores perfumadas,
que diante de nós parecem falar?!
Que estejam enfeitando todos os cenários,
do nosso encantado lugar.
Dois sois duas luas e um grande quasar,
no céu de Saturno podemos contemplar.
Cristalinidades vejo projetar de teu olhar,
fonte de luz que extirpa escuridões,
dias em que as tempestades sem coração,
o sol, não querem deixar brilhar.
Vem comigo nas asas do vento voar,
acima dos montes de Saturno vamos plainar,
como plainam as plumas dos Gansos do Reino,
sobre as auroras boreais nas madrugadas a brilhar.
E que ninguém, mas ninguém mesmo,
passe pela vida sem o amor encontrar.


Rozilda Euzebio Costa
02 de abril de 2021

quinta-feira, 1 de abril de 2021

Vielas

 


Pelas vielas da imaginação passa o pensamento reto,
passa o atrapalhado, o torto e o sem conserto.
Nestas vielas passa correndo o tempo,
vão horas quase apagadas e minutos descoloridos,
remendados como retalhos de memórias em preto e branco,
que vão sendo levadas pelas ventanias da ansiedade,
memórias às vezes ferozes, indomáveis e furiosas,
passando apressadas, vão procurando um tempo perdido.
Vai o homem carregando o seu céu pintado de azul anil,
numa velocidade que quase não deixa rastros.
E depois que se vai se perguntarem por ele,
todo mundo responde: ninguém o viu!
Alguém disse bem alto quase gritando:
abre os teus olhos! Bem à frente há um muro,
a dividir as nossas expectativas e sonhos!
Quem gritou? Quem gritou?!
Foi um andarilho perturbado dizendo anedotas.
Quem pode salvar o homem de seus terríveis enganos?
Insiste em perguntar repetidamente uma boca aberta faminta,
que ninguém consegue ver com olhos humanos,
mas ela devora sonhos e esperanças humanas.
Seria acaso aquele deserto da vida que vive em chamas,
que qualquer acontecimento novo e inusitado está cogitando?
E as vielas com seu grande trafego vão continuando,
em um vai e vem de coisas ligeiras e eufóricas,
a pressa de mãos dadas a elas vai ligeira.
Tem quem adentra por estas vielas e jamais volta,
e tem também quem não deseja caminhar por elas,
são desejos que permanecem em cima do muro,
acocorados contemplando o balançar das horas,
que no seu badalar vão ofertando suas doces ilusões.
Há ainda as expectativas embaladas para viagem,
repletas de abandono, pó e teias de aranha,
expostas nas vitrines dos olhos do sonhador,
que todos os dias imagina seus sonhos,
nos braços da esperança sendo acalentados,
e colocados no berço de ouro do tempo
para dormirem o sono da eternidade.

Rozilda Euzebio Costa
31 de março de 2021

Livros e Relações

A produção de um livro é mais que uma inserção de uma nova obra no setor literário. Ela reúne relações e sentimentos da vida humana dentro d...