domingo, 22 de agosto de 2021

Centaurus

 
Centaurus era a iguana mais de boa que havia no pedaço, ou melhor, na casa de Manfred. Sim, porque naquela casa havia uma iguana para cada janela!! Isso porque os filhos de Manfred adoravam as iguanas.

Dizem que as iguanas normalmente se comportam como seus donos, adotando suas características. Talvez seja exatamente por isso que a iguana de Jota, na verdade, João Alfredo, era assim, de boa, porque Jota era um jovenzinho muito tranquilo e da paz. Sua iguana, Centaurus, era do mesmo jeito. Pensem em uma iguana tranquilona!! Nada lhe incomodava, nem mesmo os gatos da casa, que também não eram poucos! Dá pra imaginar uma casa com gatos e iguanas convivendo juntos em perfeita harmonia? Pois é! Lá na casa de Manfred eles se davam muito bem.

A mãe de Jota, dona Carolina, implicava um pouquinho com Centaurus, pouquinho não, melhor dizer, bastante! É que Centaurus comia suas plantas, deixava somente os talinhos! Bastava elas começarem a brotar novamente, lá ia Centaurus escondido e comia os brotinhos de novo. Talvez ele fizesse mágica para Carolina não pegar ele comendo suas plantas. Mesmo assim, ela também gostava das iguanas, e até comprava casaquinhos para elas. Centaurus tinha uma estilo Elvis Presley! Quando o vestia ficava todo estiloso.


Rozilda Euzebio Costa

domingo, 15 de agosto de 2021

Zebreu e Zequinha


 Ninguém jamais poderia imaginar que Zequinha ganharia de presente do seu avô, o cavalo mais companheiro e veloz daquela região. Mas foi isso que aconteceu quando Zequinha completou seus tão esperados 18 anos.

Naquele aniversário Zequinha compreendeu que o seu destino e o de Zebreu estavam ligados para sempre.

Dizer que o destino dos dois estavam ligados para sempre não era exagero, porque Zebreu seria o melhor companheiro que Zequinha poderia ter. E foi isso que aconteceu durante os anos seguintes de convivência. Os dois se davam muito bem, Zebreu ajudava Zequinha nas lidas da fazenda e ainda faziam grandes passeios juntos pelos campos. Foi em um desses passeios que eles encontraram Sisi, a raposinha.

Os ensinamentos que Zequinha aprendeu sobre o amor e o respeito com os animais veio deste vínculo de amizade com Zebreu. Os dois se ajudavam nas tarefas da fazenda, e Zequinha tratava muito bem de seu cavalo, dava banho nele no riacho, escovava seus pelos e tratava de seus cascos. Isso era um dever que Zequinha cumpria com gosto, uma forma de agradecer por sua ajuda na fazenda.

Quando Zequinha se casou com Lina, o amor de sua vida, advinha quem levou as alianças até os dois no altar? Foi Zebreu!! E foi lindo ver o cavalo seguir por aquela passarela com o chão coberto de rosas!! E todos se emocionaram com a cena.

Amigos para sempre! Os aprendizados que Zequinha teve com Zebreu jamais seriam esquecidos.


Rozilda Euzebio Costa
15/08/2021

Sisi (A Raposinha)

Sisi vivia na Fazenda do Zequinha, um homem muito bom que a todos ajudava, sem impor condições ou cobrar favores.

Quando Zequinha viu Sisi pela primeira vez, por ela caiu de amores. Era o filhotinho de raposa mais lindo que ele já havia visto! Talvez fosse porque seu coração era muito generoso, ou porque realmente, Sisi era uma coisinha doce e linda.

Naquele descampado Sisi estava sozinha naquela tarde em que Zequinha resolveu cavalgar com seu cavalo veloz, chamado de Zebreu.

Pocotó, pocotó, pocotó, pocotó... De repente, os olhos de Zequinha se depararam com aquela coisinha pequenininha e alaranjada na beira da moita de capim dourado. Ela estava quase camuflada em meio ao arbusto, e por pouco não passa despercebida pelos olhos do moço.

Zequinha desceu de seu cavalo e a pegou nos braços, era tão pequena e fofinha!! Mas a maior preocupação de Zequinha era encontrar a mãe do filhotinho.

Com a raposinha nos braços começou a caminhar nos entornos para ver se avistava a mãe do bichinho.
Para a tristeza de Zequinha, depois de alguns minutos procurando pela raposa mãe, acabou por encontrá-la já sem vida, caída nos arbustos.

Depois de analisar minuciosamente, descobrira que a mãe do filhotinho tinha sido picada por uma cobra venenosa.

O moço ajeitou o filhote em seu embornal e a levou para casa. Adotou-lhe e deu-lhe o nome de Sisi.


Rozilda Euzebio Costa
15/08/2021

terça-feira, 20 de julho de 2021

Verdade & Mentira (Profundas análises), por Rozilda Euzebio Costa

 

Nada é tão amargo e inquietante quanto a Verdade quando explode em meio às doces palavras da Mentira, enfeitada e maquiada para a representação de uma peça.


Quando a Verdade entra no palco, a Mentira escolhe bem depressa uma fala convincente para não perder a sua pose de majestade.

Mas a Mentira nunca terá força para enfrentar a Verdade, e quando a Verdade entra no palco, a Mentira é despida e apresentada a toda a plateia, que de horror, grita ferozmente – Fora daqui sua falsa! Você não engana mais ninguém! A tua esperteza se tornou a tua pedra de tropeço!

A Verdade amarga no início, mas no final se torna doce quanto o mais puro mel colhido nos jardins da natureza divina.

A Verdade é mais clara que as águas de uma fonte cristalina, é tão pura como o ar das alvoradas.

Não existe inocência em ações planejadas, o que existe é uma forma de trama que se comporta com esperteza para alcançar um alvo ou um objetivo.


Numa representatividade fabulosa podemos colocar no palco de um teatro dois atores inusitados, que, em cena, farão os seus papéis de forma quase convincente.

No palco cênico, uma Mariposa desejosa de luz e uma Raposa pronta para lhe prender debaixo de seus pés e satisfazer os seus desejos mais sórdidos.

Neste ato, a Mariposa que se mostra sensual, e ao mesmo tempo, frágil, vai colocando em ação os seus planos para ludibriar a Raposa e com isso alcançar a sua lâmpada mágica.

E por outro lado a Raposa que, maquiavélica e calculista, trama por muito tempo na surdina as suas ações para caçar e prender a Mariposa debaixo de suas patas e assim, dominá-la por completo, somente para chama-la de sua, elevando a sua imagem de Raposa esperta.

Existem tantas mentiras pérfidas se vestindo com as vestes da verdade que às vezes se torna difícil de saber quem é a Verdade e quem é a Mentira na história contada pelas bocas anunciantes.

Você olha para as cenas de um ato e se pergunta – Isso é realidade ou apenas arte representativa? É uma peça com atores ou um romance real no deserto?

Então aparecem de repente espectros cúmplices que dizem – Não! Não é uma realidade, é apenas uma miragem diante dos olhos do Mundo!

E o Mundo já amargado com tantos percalços, quase acredita na Mentira que tenta tomar o lugar da Verdade, mas o ser forte e invencível chamado de Bom Senso, vem e joga um balde de água gelada na cabeça do Mundo – Acorda! Acorda Mundo! A verdade é tão clara, não se deixe enganar!!

O Mundo já está tão mergulhado no mar das ilusões que precisa fazer muito esforço para decifrar os enigmas quase perfeitos elaborados pela pérfida Mentira, que visa ludibriar a Humanidade. Os olhos veem a Verdade, mas não acreditam nela de imediato, e a Verdade precisa fazer muito esforço para desmascarar a Mentira.

Pobre Verdade, que às vezes desmaia de horror diante de tanta Bestialidade que, dançando nos palcos do Mundo com sua sensualidade desprovida de bom senso e de caráter, vai representando um papel daquilo que nunca foi e jamais será.


Rozilda Euzebio Costa
20/07/2021

segunda-feira, 19 de julho de 2021

Amor, Escolhas e Comportamento, por Rozilda Euzebio Costa

Para falar de amor é preciso compreender as estruturas emocionais que o envolve, e não somente as aparências idealizadas com base apenas na beleza, na juventude e na representatividade do exibicionismo na sociedade.

O amor mesmo, aquele sentimento que realmente pode ser definido como AMOR, é uma fibra inquebrável que parte diretamente do coração para externar-se transbordante e grandioso diante da vida, ele não nasce de fora para dentro, mas sim, de dentro para fora.


Uma grande parcela da humanidade fala de amor sem domínio nenhum, são pessoas que apenas falam do espectro frágil que os ilude com vestes de amor, mas que no fundo são sentimentos que nasceram de suas expectativas orgulhosas e egoístas. E aí vem um alerta importante – Há histórias que não valem uma vida, porque podem destruir a imagem de um homem e tudo que ele terá construído até dar um passo em falso com uma atitude impensada.

Uma pessoa não sabe o que é o amor quando usa de estratégias pérfidas para atrair parceiros que julga lhe dar visibilidade e status de conquistador(a) diante da sociedade, isso está mais para idiotice do que exatamente um erro de estratégia.

Não se sabe o que é amor quando se ignora a simplicidade para correr em busca de notoriedade ao captar parceiros que ajudem a alimentar o ego de caçador(a), isso está mais para orgulho e vaidade do que exatamente um engano.

Nunca será um engano quando se usa estratégias planejadas para angariar uma conquista.


A palavra A M O R nasceu para definir o sentimento mais puro e forte quando é vivenciado em sua totalidade e veracidade, porque o amor é tão sensível, que é capaz de não enxergar os defeitos da fisicalidade, traspassando direto para as qualidades da alma do outro.

Uma pessoa nunca terá amado de verdade, se apenas teve relacionamentos ancorados na beleza física, na juventude, na posição e na celebração da notoriedade social, sem vivenciar os sentimentos nobres de seu coração.

Vivendo de relacionamentos transitórios e cheios de intenções puramente pessoais, o ser humano apenas angaria para si mesmo a solidão, sofrimentos e perda de confiabilidade. Também adquirirá diante de seus patrícios, uma fama de perdedor(a) e de sofredor(a). E dependendo da situação, vai perdendo a confiabilidade e a própria dignidade diante da sociedade, adiando a felicidade em vivenciar o verdadeiro amor nascido no coração, na incondicionalidade e da sensibilidade.

A imaturidade não justifica atitudes perigosas no trato da conquista sentimental, há um perigo quando não se observa a importância da análise comportamental diante da sociedade. Uma vez que uma pessoa caia na malha perigosa das infrações sociais em seus relacionamentos, se torna quase impossível reverter uma história complicada e que pode vir a ser julgada por leis humanas.


O tempo passa numa velocidade incrível, e vai deixando seus rastros pela nossa fisicalidade. A vida vai embora sem dar uma chance a ninguém de voltar atrás no tempo e refazer escolhas e projetos, isso é uma realidade que boa parte da humanidade não leva em consideração na hora de fazer uma escolha, por isso acaba sofrendo o resultado de escolhas mal feitas e impensadas, sem poder voltar atrás e corrigi-las.

Uma vez que se faz uma escolha, esta, se tornará conhecida pela sociedade e fará parte de uma história que será julgada à maneira de cada um que dela toma conhecimento.

E por mais que se tente apagar uma ação impensada ou mal planejada, não se conseguirá mais, não será nunca mais possível, se a sociedade dela já tomou conhecimento.

A vida de um homem é representada por suas escolhas e ações, são elas que se tornarão o livro que definirá o que ele já foi e o que ele está sendo no agora. Suas condutas diante da sociedade são levadas a conhecimento público, e o mundo irá ler este livro e interpretar conforme sua cultura primária, estabelecidas pelos princípios de cada um, e pelos princípios universais da vida.


Rozilda Euzebio Costa
19 de julho de 2021

sexta-feira, 2 de abril de 2021

Cristalinidades





Busco em teus olhos os cristais do universo,
mostra-me as estrelas em seus palacetes,
projetando seu brilho como diamantes.
Depois, me escreva um verso ou um reverso,
onde cada linha escrita que eu leia,
sejam linhas do teu corpo para eu trilhar,
com minhas vontades contidas e tímidas,
embaladas em pacotes de presente
com laços de fitas para lhe entregar.
Busco em teus olhos o cristal do tempo,
deixe-me ver o teu relógio escondido
guardado no bolso de teu casaco,
quero ver que horas ele está marcando,
não suporto mais pelo futuro esperar.
Acelere os ponteiros do tempo
para que possa logo te encontrar,
vamos tomar o primeiro trem para Saturno,
talvez o nosso castelo de pé ainda esteja lá.
E os campos de flores perfumadas,
que diante de nós parecem falar?!
Que estejam enfeitando todos os cenários,
do nosso encantado lugar.
Dois sois duas luas e um grande quasar,
no céu de Saturno podemos contemplar.
Cristalinidades vejo projetar de teu olhar,
fonte de luz que extirpa escuridões,
dias em que as tempestades sem coração,
o sol, não querem deixar brilhar.
Vem comigo nas asas do vento voar,
acima dos montes de Saturno vamos plainar,
como plainam as plumas dos Gansos do Reino,
sobre as auroras boreais nas madrugadas a brilhar.
E que ninguém, mas ninguém mesmo,
passe pela vida sem o amor encontrar.


Rozilda Euzebio Costa
02 de abril de 2021

quinta-feira, 1 de abril de 2021

Vielas

 


Pelas vielas da imaginação passa o pensamento reto,
passa o atrapalhado, o torto e o sem conserto.
Nestas vielas passa correndo o tempo,
vão horas quase apagadas e minutos descoloridos,
remendados como retalhos de memórias em preto e branco,
que vão sendo levadas pelas ventanias da ansiedade,
memórias às vezes ferozes, indomáveis e furiosas,
passando apressadas, vão procurando um tempo perdido.
Vai o homem carregando o seu céu pintado de azul anil,
numa velocidade que quase não deixa rastros.
E depois que se vai se perguntarem por ele,
todo mundo responde: ninguém o viu!
Alguém disse bem alto quase gritando:
abre os teus olhos! Bem à frente há um muro,
a dividir as nossas expectativas e sonhos!
Quem gritou? Quem gritou?!
Foi um andarilho perturbado dizendo anedotas.
Quem pode salvar o homem de seus terríveis enganos?
Insiste em perguntar repetidamente uma boca aberta faminta,
que ninguém consegue ver com olhos humanos,
mas ela devora sonhos e esperanças humanas.
Seria acaso aquele deserto da vida que vive em chamas,
que qualquer acontecimento novo e inusitado está cogitando?
E as vielas com seu grande trafego vão continuando,
em um vai e vem de coisas ligeiras e eufóricas,
a pressa de mãos dadas a elas vai ligeira.
Tem quem adentra por estas vielas e jamais volta,
e tem também quem não deseja caminhar por elas,
são desejos que permanecem em cima do muro,
acocorados contemplando o balançar das horas,
que no seu badalar vão ofertando suas doces ilusões.
Há ainda as expectativas embaladas para viagem,
repletas de abandono, pó e teias de aranha,
expostas nas vitrines dos olhos do sonhador,
que todos os dias imagina seus sonhos,
nos braços da esperança sendo acalentados,
e colocados no berço de ouro do tempo
para dormirem o sono da eternidade.

Rozilda Euzebio Costa
31 de março de 2021

terça-feira, 30 de março de 2021

Alegorias

 


Espaço sagrado é o terreno do teu nobre coração,
e todas as minhas sementes de amor voam para ele,
como se tivessem em tempos de germinação,
prontas para deixar crescer cada novo embrião.
Abre-te coração! Abre-te para a minha plantação!
Quero fazer em ti um extenso e lindo campo florido,
onde a primavera delicada faça em ti uma obra de arte,
e eu possa me deleitar no aconchego de tua beleza.
Canções eternas de amor ecoam pelas ondas do tempo,
com anúncio de trombetas tocadas pelos anjos,
como se chegassem de uma longa viagem astral,
vão direto pousar nos teus ouvidos, ó rouxinol!
Sobre os galhos da cerejeira vai espalhando melodias,
recebidas dos anjos de outras esferas,
e o próprio vento diz entusiasmado;
é uma nova era! Certeza que é uma nova era!
Cantando sobre os galhos das amendoeiras,
junto dele estão todos os desejos da primavera.
Escute o sorriso das mimosas abraçadas e sendo beijadas pelo sol,
e as papoulas dançando alegres com todo o seu arrebol,
estendidas pelos campos extensos do amanhecer.
Vem me ver! Vem me ver coração selvagem!
Não fique parado esperando no templo das incertezas,
tome o primeiro cavalo alado que sai antes do sol nascer.
Um lindo beija-flor pousa nos lábios do meu querer,
e uma flor de amor ardente no meu coração ele faz nascer.
As camponesas fazem filas na entrada do teu coração,
estão cheias de desejos e cestas transbordantes de intensões,
todas de uma só vez de amor por ti estão a padecer,
mas o espaço sagrado dentro de ti já tem esta jardineira aqui,
que plantando incansavelmente sementes de amor,
cobre todo o teu coração de céu, sol, orvalho, sorriso e flor.

Rozilda Euzebio Costa
30 de março de 2021


segunda-feira, 29 de março de 2021

Savanas

 


Nas savanas agrestes e selvagens dos teus olhos,
minha alma caminha solitária e amedrontada,
onde está a tua caverna aconchegante ó rei leão?
Dá-me de beber das águas de teu riacho escondido,
Tenho sede, tenho sono e tenho tanto medo!
Não vês que padeço nas trilhas de tuas perigosas savanas?
Volta os teus sentidos em minha direção,
vem me encontrar nesta penosa paisagem,
onde tudo parece querer me devorar,
até o sol se torna inimigo ao meio dia,
e o vento a ele se curva em obediência.
As noites são senhoras sombrias e misteriosas,
que me fazem os terríveis pesadelos encontrar.
Quero pão, quero vinho e quero o teu peito,
e nada mais me importa senão a minha vida junto a tua.
Nas alvoradas coloridas e refrescantes,
centenas de andorinhas passam pela minha visão,
Onde vão? Onde vão todas elas voando nesta imensidão?!
Procuram certamente novas terras e novos cenários,
porque ninguém é feliz onde não consegue criar raiz.
A planta dos meus pés procura o vaso do teu coração,
acorda rei leão! Acorda deste sono de tamanha profusão!
As feras desta fria e assustadora paisagem,
me olham obstinadas como se eu fosse um pão,
estão famintas e querem alimentar suas necessidades,
mas há uma força que me transporta e me liberta,
desta fome feroz que a vida faz atingir a todas elas.
E no abstrato contexto de minhas razões,
surgem os gigantes pensamentos em discussão,
decidem entre eles o que fazer de minha desolação,
e me carregam para longe das bocas devoradoras de sonhos.
Reclina-te sensivelmente à altura do meu olhar ó rei leão!
Olha dentro dos meus profundos e cansados olhos,
neles, está o mapa que nos levará rumo ao paraíso.
Pegue o mapa sem demora e o decifre,
para que esta viagem não fique perdida na vegetação de alguma curta estação.

Rozilda Euzebio Costa
28 de março de 2021


domingo, 28 de março de 2021

Caravelas

 


Origem profunda tem aquelas dores de saudade,
que do peito não se consegue arrancar,
que viajam aglomeradas em formas de angústias
através de dezenas de caravelas por um mar
de águas obstinadas de memórias em liberdade.
Memórias são como as águas barulhentas de uma cachoeira,
que desce encostas pedregosas a chorar,
porque memórias tem vida própria e tem lágrimas,
que ninguém consegue fazer calar.
Um dia um cavaleiro selou o seu cavalo e foi embora,
com a sua bagagem transbordante de ilusão,
e os olhos tristonhos de uma peregrina,
ficaram na longa estrada a esperar por ele em vão.
Ela começou a seguir persistente os rastros deixados pelo cavaleiro,
mas a pressa dele fez crescer asas no dorso de seu cavalo,
e o cavaleiro começou a voar no seu cavalo alado,
vencendo as barreiras invisíveis do tempo
para então alcançar novos tempos,
além das esferas inimagináveis de sua existência.
Pobre peregrina que exausta perambula com sua bagagem de esperança,
peregrinando vai noite e dia na tentativa de o cavaleiro encontrar.
Caos no peito, caos na alma, um assombro de medo faz seu coração palpitar,
medo de nunca mais poder o seu cavaleiro encontrar,
porque rumo às estrelas ele está velozmente a cavalgar.
Ainda existem os campos floridos daquele lugar?
E onde estão as vinhas com seus rebentos a prosperar?
Ela se pergunta repetidamente, sem cessar,
pois está perdida tentando o cavaleiro encontrar.
Oh Paraiso, dê depressa o teu endereço,
esse deserto é incomplacente para quem vai ele atravessar!
A peregrina jura, que se o deserto em seus próximos pensamentos não findar,
embarcará no primeiro trem da vida que corre nos trilhos da alvorada,
rumo a outros cenários menos devastadores.
Já sentistes o badalar do relógio das horas da angústia?
Essa angústia devora uma mente cheia de pensamentos de solidão.
Acaso será mesmo tudo em vão?
Será em vão todas as esperas ancoradas,
adormecidas naquele porto sem compaixão?
Nuvens fugitivas ao soprar dos ventos primaveris alertam,
que logo o cavaleiro a peregrina vai encontrar,
Mas será? Será mesmo verdade?!
Até a primavera chora e se compadece por ela,
as flores percebem seus olhos cansados,
escondidos debaixo de suas pálpebras,
tanto exaustos que não conseguem mais se levantar.
Os seus pés decidiram que é hora de parar,
porque já não conseguem mais seus rastros pelos caminhos deixar.
O insistente balançar das árvores na floresta encantada
anunciam o tempo oportuno da viagem astral,
um túnel se abre através das infinitas vias do universo.
E quem foi que disse que aquelas caravelas da saudade
não navegam o mar encantado acima da terra?
Quem foi que disse que isso é assim, e só pode ser assim,
porque a lógica diz que assim o é?
A lógica também se engana e as vezes até se contradiz,
assim também o que está entrelaçado a um contratempo,
o próprio tempo se equivoca, se contradiz.
Há um cânion além das planícies quietas da serenidade,
suas paisagens convidam para um voo fantástico,
entre os paredões misteriosos e secretos que o ladeiam.
E como a cegonha faz quando está no pico mais alto do seu voo migratório,
assim voa também a alma que procura novas terras.
Caravelas ligeiras são os suspiros de uma saudade apressada,
Caravelas também são aqueles pensamentos,
que navegam obstinados num mar violento,
cujas velas são os desejos do coração humano.

Rozilda Euzebio Costa
27 de março de 2021

sábado, 27 de março de 2021

Enigmas



Um caminho longo e uma ponte que fala,
um monte gigante e uma flor sob o sol,
no coração do monte há um vulcão flamejante,
o monte está a ponto de entrar em erupção,
e já não sabe o que fazer com o seu fogo ardente,
para que ele não exploda e queime a flor,
que vive de admirá-lo em suas encostas.
Extasiada está sempre aquela pequena flor,
pelo arrebatamento que lhe causa o monte.
Imagina que a flor tem o sonho de tocar seu coração,
e o monte tem um desejo ardente de encurvar-se
até tocar em suas pétalas para ali adormecer seu coração.
Ao lado do monte está aquela ponte inquieta,
sussurrando incentivos de partidas constantes,
vem! Vem! A ponte chama a flor sem cessar.
Como se a ponte também amasse a flor,
e do pé do monte, a ponte a flor quisesse arrancar.
Mas que nada! Que nada! Somente impressão!
A ponte é apenas um enigma que abre a sua boca para reclamar,
mas seus desejos claramente, a ponte não consegue expressar.
No meio da ponte está adormecido o tempo,
que nela, a sua fadiga foi descansar.
Como pode o tempo no meio da ponte assim parar?!
Cadê a força desse tempo que não deseja mais passar?
Há um passarinho que seu bico não consegue calar,
está sempre transportando assobios entre o monte e a flor,
dia vai, dia vem, e o passarinho com seu bico cheio de assobios,
leva aos ouvidos do monte as declarações de amor da flor,
e desce de lá com o bico repleto de assobios do monte,
para entregar fielmente aos ouvidos da flor.
Mas até quando? Até quando?!
Até quando o tempo na ponte vai descansar?!
E por qual motivo o tempo não consegue despertar?!
O monte até que tenta, se esforça para encurvar,
mas o seu orgulho é ainda muito maior que o amor,
que no seu coração sente pela pequena flor.
E o tempo? O tempo até que tenta acordar,
mas a ponte sem perceber segura o tempo,
e no impulso de suas contradições e impasses,
impede o tempo de despertar e mudar as coisas para sempre.


Rozilda Euzebio Costa
26 de março de 2021

quinta-feira, 25 de março de 2021

Pilares da Primavera


Pilares que sustentam os lindos rebentos da primavera,
na frente das casas e nos pergolados do teu jardim já me dizem;
é chegado o tempo de o nosso amor caminhar pelas colinas.
Vamos deixar nossos rastros pelos caminhos do sol,
ouvir a natureza declamar a alta voz as suas mais lindas poesias,
aos ouvidos das vinhas que já explodem os seus novos rebentos,
enfeitando os enfileirados e verdes varais dos arados do campo,
depois de ter vivido também a sua longa e silenciosa espera.

Incomplacente foi por vezes o tempo vivido na espera,
mas o ciclo de todas as coisas a tudo renova e traz respostas,
até as nuvens já anunciam a chegada da felicidade desejada,
navegam serenas no extenso e profundo mar azul do céu,
como dezenas de naus elas navegam com seus mastros gigantes,
vão ancorando uma a uma nos invisíveis portos do tempo,
repletas com os tesouros dos novos dias que a vida envia,
jornadas perfumadas com a essência pura de uma nova atmosfera.


Rozilda Euzebio Costa
25 de março de 2021

domingo, 8 de novembro de 2020

Estação da Vida


Estação da Vida 


Estou parado e perdido numa imensa estação, 
Observando admirado os trens que chegam, 
E para os trens que partem, olho com incompreensão. 

A estação está sempre muito lotada e confusa, 
pessoas descem o tempo todo dos trens que chegam, 
e na mesma frequência partem sem nenhuma recusa. 

Interessante ver que ninguém leva ou traz bagagens, 
Mas posso observar uma pequena alegria nos olhos de quem chega, 
E naqueles que partem, noto tristes e confusas imagens. 

Se movimentam como se estivessem dentro de um mesmo sonho, 
Porém, cada um vai caminhando sozinho de um lado para o outro, 
Tentando compreender e encontrar a si mesmo, suponho. 

Se há alguém que de tal movimento dê uma interpretação, 
Eu agradeceria se pudesse explicar com clareza tal cenário, 
Talvez eu compreendesse o motivo de estar parado nesta estação. 

Sinto que existo dentro de um drama muito complexo, 
Quero encontrar a minha história nesta composição, 
Nesta grande peça, onde parado, estou um tanto perplexo. 

De onde vim? Como aqui cheguei? E para onde vou? 
Não sou capaz de descobrir sozinho tal incógnita, 
Partindo do princípio que nem mesmo sei quem sou. 


Rozilda Euzebio Costa 
08/11/2020

L’autunno parla con me (Rozilda Euzebio Costa)


L’autunno parla con me


Parlano con me l'intera congiuntura dell’autunno
Meraviglia colorata delle mie sensazioni
Che l'autunno dipinga la mia vita con i suoi colori
E possa insegnarmi a conoscere nuove strade
Voglio capire tutte le mie trasformazioni

Oh alberi misteriosi, forti e coraggiosi
Non avete nessuna paura della metamorfosi
Vanno consegnando tutte le sue foglie
Ai movimenti rinnovativi dell'autunno
Come se entrassero tutti in profonda ipnosi

Come l'autunno prende gli’alberi e li avolge
Facendo colorare per dopo cadere le sue foglie
I miei ricordi gialli d’altri tempi sembrano perdersi
Ma un vento viene da me e mi soffia all'orecchio
"I cambiamenti molte cose toglie!"

Dall'altra parte al di lá dell'autunno
Potrebbe esserci una stagione migliore
Ma l’autunno, io e il tempo stiamo già in sintonia
Facciamo parte di un quadro rappresentativo
In un scenario bello di molto splendore

Parlano con me tutti i colori dell’autunno
Colorando tutti i miei scenari e i miei sensi
Guardo la natura e penso, “grazie d'esistere!”
E il mio cuore battendo il ritmo del rinnovamento non saprà mai
Cosa poteva succedere nella mia vita se io avessi altri tormenti


Rozilda Euzebio Costa
25.10.2020

Canzone Suprema (Rozilda Euzebio Costa)


Canzone Suprema 



Oh, mia bellissima canzone, mio bagliore! 
Tocco di brezza nelle mie orecchie 
Canzone che dà vita alla mia vita, 
Musica suonata sulle corde del mio cuore, 

Canzone delle mie lunghe albe vaghi 
Semplice morbidezza che mi avvolge, 
Suono che mi risveglia alla mattina, 
Canzone dolce e sensibile dei miei viaggi. 

Oh, musica che per le stelle mi fa viaggiare 
Raggio che riempie di luce la mia strada 
Forte ala della mia immaginazione, 
Canzone meravilhosa che mi fa sognare. 

Oh, mia canzone e mio abitate! 
Battito animato delle mie storie, 
Il mio tema caldo d'inverno 
La mia gomma preferita in estate. 

Canzone del mio tip tap, della mio ballo, 
Vibrazione energetica della mia anima, 
Trama principale della mia emozione, 
Melodia del mio sentimento puro e cristallo. 

Canzone che il mio ritmo accelera 
Magnifico gioiello delle mie sensazioni, 
Motivo che mi fa camminare felice, 
Lungo i sentieri fioriti della primavera. 

Canzone che merita un trono in Saturno, 
Nel Regno delle Mille Meraviglie, 
Tesoro dei Monti Celesti, 
Dove si ascolta la colonna sonora d'autunno. 


Rozilda Euzebio Costa 
15 ottobre 2020

terça-feira, 3 de novembro de 2020

Fale comigo outono!


Fale comigo, colorido outono das sensações!
Pinte a minha vida com as suas cores,
Ensina-me a compreender em mim as transformações.

Oh árvores fortes e destemidas na metamorfose!
Entregando suas folhas para os movimentos do outono,
Olhando todas assim tão belas, entro em profunda hipnose.

Um caminho divide o outono em duas partes,
No meio me encontro, cabeça alta, caminhando,
Admirando esse cenário de naturais artes.

As minhas lembranças estão como estas folhas,
Amarelas, se transformando em passado distante, elas vão,
O vento sopra em meu ouvido dizendo: “faz parte de suas escolhas!”

Que coisa interessante seguir um caminho novo!
Vem a sensação de estar deixando uma vida inteira para traz,
E a incompreensão, o meu coração invade, e me comovo.

Do outro lado do outono talvez haja uma estação melhor,
Mas eu já tenho com o outono uma sintonia,
Já fazemos parte de um panorama representativo bem maior.

Fale comigo outono! Tinja meus cenários e pensamentos,
Me transforme em uma perfeita obra de arte,
E o meu coração nuca mais conhecerá das transformações, os tormentos.

Rozilda Euzebio Costa
25.10.2020

O livro "Leituras Fantásticas", de Rozilda Euzbeio Costa

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