sábado, 12 de abril de 2025

O horizonte me chama, de Rozilda Euzebio Costa






A estrada é longa
Mas tenho que ir
É minha jornada
Tenho que partir

Lá no horizonte
Mora o meu sonho
O sol é brilhante
O dia risonho

Na minha bagagem
Levo a esperança
Um pouco de coragem
E muita confiança

A estrada é longa
Mas tenho que ir
É minha jornada
Tenho que partir


O horizonte me chama
Letra de Rozilda Euzebio Costa




L'orizzonte mi chiama, scritto da Rozilda Euzebio Costa





La strada è lunga
Ma devo andare
È il mio viaggio
Non posso restare

È all'orizzonte
Mia vita da sogno
Il sole è luminoso
Di lui ho bisogno

Nel mio bagaglio
Porto la speranza
Un po' di coraggio
E tanta costanza

Il cammino è lungo
Sai che devo andare
È il mio destino
Ho un sogno da fare


L'orizzonte mi chiama
Testo scritto da Rozilda Euzebio Costa



segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

Observância, poesia de Rozilda Euzebio Costa


Aqui enquanto eu escrevo, as gaivotas voam
Estão voando serelepes por todos os lugares
Elas grasnam o tempo todo sem nenhuma causa
Algumas delas pescam na orla do porto
Outras pedem comida aos transeuntes
Elas tem uma fome incansável e não dão pausa
Olho as águas serenas do grande braço do mar
Vejo um ponto branco na imensidão de água
É um ganso que parece não ter preocupações
Se deixa levar pelo balanço das pequenas ondas
Formadas pelo passar dos barcos ligeiros
Que vão levando pessoas e suas infindáveis paixões
Pessoas se apaixonam por tudo que não lhes pertence
Incrível essa atração que envolve todas as criaturas
Deixam suas casas e palácios e vão a outros lugares
Abraçam os estrangeiros e desprezam conterrâneos
Gastam suas moedas com supérfluos sem reclamar
Mas em casa apontam sem trégua seus pesares

Rozilda Euzebio Costa, Observância

quarta-feira, 29 de janeiro de 2025

O VENTO


De quando em quando ele passa
Algumas vezes numa fúria terrível
Em outras, numa suavidade extraordinária
Que parece muito sensível

Ninguém o vê
Mas ele está em todos os lugares
Espalha a areia dos desertos
Adentra as janelas dos lares

Ele faz bater as portas
Arranca as roupas dos varais
Arregaça cortinas
Derruba as frutas nos quintais

É incrivelmente forte
Quando está muito bravio
E é docemente suave
Quando quer ser gentil

Quando quer ser galã
Beija o rosto das donzelas
Toca-lhes com ternura
Com suas invisíveis apalpadelas

É um cavalheiro em alguns momentos
Em outros, é um poço de indelicadeza
Um turbilhão de ações
Força invencível e de misteriosa grandeza

Pode ser chamado de Tempestade
De Brisa
Ou de Furacão
De Correntes do Sul e do Norte
De Bafejo e de Frescor
De Aragem
De Zéfiro ou Ventania
E até mesmo de Viração

Não dá pra discutir com ele
Tome intento
Se acalme, e não se apavore
Porque este senhor... é o Vento



Rozilda Euzebio Costa

quarta-feira, 14 de agosto de 2024

Maturidade

 
M A T U R I D A D E

Se começa a crescer na maturidade a partir do momento em que se consegue extrair aprendizados das experiências vividas, mesmo e principalmente, quando tais experiências são ruins. Saber desintegrar um aglomerado de sentimentos e experimentos para extrair deles uma lição, é uma prova de que já se adquiriu uma boa porção de maturidade.


Rozilda Euzebio Costa

segunda-feira, 15 de janeiro de 2024

Cinzas da vida

 


Um homem de vida cinza e vazia,
perdido em pensamentos
que também estão cinzas,
aqui estou eu na palidez da vida,
olhando para esse tempo presente
que permanece tão contundente,
e longe de tudo que um dia foi alegria.

O que foi feito daqueles dias,
de façanhas e glórias,
de vinhos e música,
de certezas e eternidades
e de tanta cumplicidade
que agora são apenas memórias frias?

Onde está a felicidade,
que em outros tempos
me abraçou com vontade
e me beijou tantas vezes
com tanta fidelidade?

Oh cinza sem alma e cruel,
que tingiu o meu tempo,
e ainda me serve taças de fel!
Aponte-me meus erros
para que eu possa me redimir,
e merecer um caminho para o céu.


Rozilda Euzebio Costa

domingo, 17 de dezembro de 2023

O verão de um beija-flor

 


Que luz é essa que traz calor e vem à vida acordar?
Que leveza é essa que até a alma de um beija-flor faz flutuar?
Não será o verão que já está chegando, meu amor?
Sente! Existe energia mais forte e mais quente?
Que faz a vida de lugares frios saltitar de alegria calorosamente,
Que leva sua luz para brilhar até em corações escuros e frios!
Sente este raio luminoso, cálido e envolvente,
Tocando de leve o corpo, abraçando a alma e alcançando a mente!
Deixando nela um sentimento de aconchego,
E de ser feliz uma vontade ardente,
Que força majestosa e imponente!
Que leva todo o reino da natureza a despertar!

É o verão, meu amor!
É o verão que acabou de chegar!

Deixe essa linda alma nascida livre os seus voos, voar,
Acima de vales, mares, montanhas e colinas,
Deixe que ela voe, deixe que alegre se vá,
Voando em comunhão com o tempo e com a natureza,
A favor dos ventos e da magia que existe no ar,
Com sua alma florida, feliz e perfumada,
Deixe que este beija-flor se vá,
E o seu mais puro amor deixe-o em música transformar,
Com as suas enérgicas canções harmonizar
Os elementos – Terra, Fogo, Água, e Ar.
Deixe esse pequeno sol com sua luz a muitos iluminar.
Mas, afinal, que tempo é esse tão fenomenal?

É o verão, meu amor!
É o verão que acabou de chegar!

Veja, lá, além dos altos montes e dos oceanos, além do mar,
Além das grandiosas e majestosas montanhas,
Bem mais além que as visões humanas podem olhar,
Há uma infinita e magnifica beleza,
Que destaca a vida revelando a sua grandeza.
E quanta vida emana dessa colossal estrutura!
Energia limpa se pode sentir, e ainda pura,
A música da natureza ali, ainda se pode ouvir.
Deixe que esse beija-flor inspirado e de sonhos nobres,
Com seus pensamentos jovens, dignos, e fortes,
Va com alegria essa beleza em suas canções revelar,
Deixe que novos ares ele vá respirar,
E em cada voo seu, novos e belos horizontes ele irá conquistar.

Rozilda Euzebio Costa

quarta-feira, 15 de novembro de 2023

Meu Enrico (Rozilda Euzebio Costa)



Você chegou lindo e no momento justo do tempo
Com suas vinhas e seu cavalo branco perfeito
Me surpreendeu com a sua chegada sem eu esperar
Ao te ver pela primeira vez até levei um susto
Não pensava mais ser possível me apaixonar
Mas você foi tão encantador com o seu jeito

Se aproximou de mim como um verdadeiro príncipe
Gentil, um cavalheiro muito educado,
Com olhos brilhantes de quem enxerga distante
Lindo! Você foi esculpido pelas mãos de Deus
Os céus te escolheu para mim porque você é importante
Meu coração por você está apaixonado

Com você tudo flui sereno e naturalmente
Você é meu namorado e meu anjo protetor
Nossos diálogos possuem consonância e afinidade
Adoramos viajar pelo mundo e conhecer outros cenários
Você é uma nova enciclopédia que aprendo de verdade
Como você é inteligente meu doce amor!

Rozilda Euzebio Costa
15.11.2023

sexta-feira, 28 de julho de 2023

O Menino

 


O menino tinha um sonho - queria ver o mar, mas quando seus olhos o mar alcançou, ele também viu um barco, e novamente o menino sonhou - e desejou ser marinheiro. E o tempo passou com suas estações, e o menino, um marinheiro se tornou. Agora já não era mais um menino, era um jovem ainda sonhador. De viagem em viagem, o jovem novas coisas contemplou. E num belo dia de sol, o jovem em terras estrangeiras, seu navio aportou. E lá, numa noite estrelada o jovem assistiu a um energético show. A linguagem do rock sua alma conquistou. Novamente, o jovem muito forte sonhou. Não quis mais ser marinheiro, a música o seu coração inteiro tomou. Agora, aquele jovem, uma guitarra desejou, e o seu navio, aos seus superiores entregou. Correu ao comércio mais próximo, e mais que depressa, a sua guitarra comprou. Porque sonho, minha gente, tem validade, se demora muito pra correr atrás dele, ele vence o prazo. O jovem aprendeu a tocar, e num excelente músico ele se transformou. Passou a tocar suas músicas e cantar como quem, seu verdadeiro trabalho encontrou... Mas até quando? Se todo homem é feito de sonhos que mudam o tempo inteiro?! Certamente o jovem guitarrista sonhará outros sonhos na sua vida de construtor. É isso! O homem é construtor a vida inteira. É o que lhe renova a vida e o torna um vencedor.

Rozilda Euzebio Costa

sábado, 8 de julho de 2023

Os Abandonados da Sociedade

 

Pelas bonitas e importantes ruas de flores,
perambulam fracos e mal vestidos senhores,
com sede e sem teto, sentindo fome e dores.
Sem esperança de futuro e sem amores,
das latas de lixo se tornam frequentes consumidores.

Que cena mais caótica de tanta tristeza!
Quanto abandono e quanta pobreza,
nos pobres a perambular entre os diamantes da nobreza,
diante dos olhos cegos das figuras da riqueza,
que não enxergam senão o que lhes dá prazer e proeza!

Anciãos de barbas brancas como o algodão,
deambulam de roupas velhas e sem ambição,
pedem aos transeuntes apenas um pouco de pão,
sob a luz do sol que brilha para todos em comunhão,
e dá seu exemplo de partilha sem fazer distinção.

Oh quinhão da vida, devorador de tantos desvalidos,
dos vultos viventes no mundo que são esquecidos,
amparados pelas árvores-mães adotivas dos afligidos,
dos sem tetos e abandonados, dos seres humanos sofridos,
dos que fazem de cama os duros concretos batidos!


Reflexão:

Existem grandes comunidades de moradores de rua, sem tetos e dependentes químicos, espalhados pelas cidades do mundo inteiro. E estão morando nas ruas, não porque eles querem estar debaixo do sofrimento, do abandono e da miséria. Eles estão nas ruas porque se perturbaram e tiveram experiências psicológicas dolorosas em algum momento de suas vidas, e isso os levaram a experimentar situações adversas e experiências maléficas, ao ponto de perderem o direcionamento certo em algum momento de suas vidas. Muitos desses moradores de rua já não se sentem capazes de se inserirem na sociedade como cidadãos trabalhadores, ativos e independentes. Uma das principais perdas que adquiriram ao morar na rua, é a confiança da sociedade, em lhes proporcionar trabalho e acolhimento. Os desvalidos da sociedade já não sabem mais como encontrar a luz e o equilíbrio de suas vidas. Então, usar a expressão que diz que “eles precisam querer se tratar para se curar” para só então receber o socorro e o tratamento, é uma forma da sociedade, civil e pública, se abster da responsabilidade social de ajudar, socorrer e lhes dar o tratamento necessário e preciso.


Rozilda Euzebio Costa

sexta-feira, 7 de julho de 2023

Tempo & Passado (Pão torrado)

 



O passado foi uma cesta cheia de pães torrados,
já comidos e muito bem mastigados,
pelas bocas famintas dos dias arados,
e engolidos pelos tempos já avançados,
mas que ainda continuam sendo ruminados.

Oh, que triste, ruminar os pães velhos na cesta dos enganos,
depois de tantas ausências e tantos anos!
Que queres vós de mim, pensamentos cruéis e insanos?
Deem a volta, retornem aos seus abismos tiranos.

No cais das torturas e do abandono,
o olho do tempo cheio de plano,
sorri sem remorso com ar soberano,
e parte para o futuro com seu gesto desumano.

Lá, bem à frente, na estação dos sonhos,
outros dias famintos esperam com olhos risonhos,
o tempo que chegará com seus humores estranhos,
imprevisível, incalculável, cheio de surpresas, trazendo perdas ou ganhos.

Rozilda Euzebio Costa

O Caminhante

 


Atrás de um corajoso caminhante,
há outro ser que segue andante,
e à frente dele bem mais adiante,
há outro aventureiro viajante.

O que dizer dessa vida?
que requer do vivente muita lida,
puxa ele daqui em investida,
empurra ele dali em contrapartida!

A vida é atrevida e potente,
enfrenta o tempo e é persistente,
morde a dor e mostra o dente,
sorri mesmo sem estar contente.

O caminhante põe seus pés na estrada,
vai seguindo devagar ou em disparada,
se agarrando à coragem vislumbrada,
que não se deixa jamais ser castrada.

Coragem na vida do caminhante é tudo pra vencer!
ela não o deixa desistir e nem se abater,
cura seus pés feridos e não o deixa remeter,
dá a ele o pão do entusiasmo para lhe fortalecer.

Rozilda Euzebio Costa

sexta-feira, 12 de maio de 2023

A cadela Piaba e a Cascata das Madalenas

 


Haviam dois sítios importantes na Terra do Borogodó, em um deles tinha uma linda cascata, onde a cadela Piaba se esbaldava tomando banho e brincando de pega-pega com os pequenos repteis e aves que se aproximavam do lugar para beber água.

Haviam também duas Madalenas - a Madalena do Zé do Rincão, e a Madalena do Francisco Peruano.

Francisco era apelidado de “Peruano”, não porque era peruano, mas porque no sítio dele havia uma grande criação de perus. Ele era o maior fornecedor de peru daquela região na época do Natal. Se tornou conhecido como Francisco Peruano desde que o amigo Zé do Rincão o chamou assim pela primeira vez em tom de brincadeira numa rodada de cachaça artesanal fabricada em seu sítio.

A Cascata das Madalenas foi batizada com esse nome por Francisco Peruano quando seu amigo Zé comprou um sítio vizinho ao dele. Como a cascata estava dentro das terras de seu sítio, ele chamou o Zé e disse:

Olha Zé, a cascata é das nossas esposas, para elas tomarem banho com as crianças e lavar as roupas de casa lá. A partir de agora a cascata é delas, e se chamará, a Cascata das Madalenas! Ou seja, a cascata das nossas esposas.

Francisco falou em tom de satisfação em dividir a cascata de águas frescas com o amigo. Mas, onde entra Piaba nessa história? Calma lá, vamos à história de Piaba, a cadela mais legal que já existiu nas terras das Madalenas. A Piaba foi presenteada à Madalena do Zé do Rincão por uma sua tia de nome Catarina. Piaba nasceu em uma ninhada de 12 filhotes. Catarina pegou a cadelinha e deu para a Madalena do Zé do Rincão, e Madalena olhou para ela e disse – se chamará Piaba! – deu esse nome para o filhotinho, não porque ela se parecesse com um peixe, mas porque foi o primeiro nome que lhe veio à cabeça, talvez porque era um nome bastante conhecido de sua infância, Madalena do Zé havia comido muitas piabas fritas que sua mãe tinha o costume de fazer para a família nos almoços da casa nos finais de semana, daí comiam as piabas acompanhadas do arroz branquinho e do feijão pagão.

A cadela Piaba era danada demais! Corria atrás das vacas, dos porcos da fazenda e ainda assustava os passarinhos que se arriscavam a beliscar insetos próximo à casa. E bastava Madalena do Zé do Rincão pegar a bacia cheia de roupas para ir lavar na cascata, que a Piaba já se embrenhava feito uma maluca correndo na frente. Ia latindo com o gado pelo caminho e espantando as rolinhas e os coelhos silvestres.

Enquanto Madalena do Zé do Rincão passava na casa de Madalena do Francisco Peruano para irem juntas à cascata, a Piaba já estava era lá na cascata se refrescando nas águas e assustando os peixinhos! Era um tibungo atrás do outro! Acreditem quem quiser, mas ela subia na pedreira e pulava lá de cima na parte mais profunda das águas da cascata! A cadela Piaba parecia até gente, e tinha um entendimento extraordinário que ninguém jamais havia visto por aquelas regiões, só faltava mesmo era falar.

Dizem que por muito tempo a cadela Piaba viveu no sítio da Madalena e do Zé do Rincão, viu nascer os filhos do casal e eles foram crescendo com a companhia fiel de Piaba. Também foi companhia fiel das duas Madalenas, e quando partiu, deixou muitos herdeiros. Em cada sítio daquela região existiam filhos e netos da Piaba. Eles não eram tão espertos e inteligentes quanto ela, mas excelentes cães de companhia e muito confiáveis. Cadela como a Piaba, são cães raros.


Rozilda Euzebio Costa

quinta-feira, 11 de maio de 2023

Viagem à Terra Santa - Um turismo religioso datado de novembro de 2010

Viagem à Terra Santa 

Novembro / 2010

Relatos dessa experiência

Naquela manhã de novembro, o nosso voo fez um pouso tranquilo na cidade de Tel Aviv, em Israel, era o começo de uma emocionante experiência nos cenários religiosos propostos no pacote de viagem da TV Canção Nova.

Logo que chegamos no aeroporto, fomos para os procedimentos de entrada no controle de imigração. A guia brasileira alertou: - Mantenham-se tranquilos e procurem colaborar com a fiscalização. Eles provavelmente vão abrir as malas de vocês para averiguação de segurança antes de liberarem a entrada. - Mas quem disse que todos se manteriam serenos? Existem aqueles que se desesperam por nada, o medo lhes toma conta do semblante, e assim, uma de nossas colegas passou por uns perrengues, mas, felizmente foi liberada depois de quase 1 hora de perguntas e apresentação de documentos comprobatórios de origem etc.

Após passar pela imigração, já havia um ônibus nos esperando para nos levar até Nazareth, a cidade de Maria, mãe de Jesus. Lá, fomos acomodados em um hotel gigante, de mini banheiros, foi lá que vi uma banheira no box do chuveiro, e o banho só podia ser feito dentro da banheira, porque não existia outro espaço, eu ligava o chuveiro e ficava em pé dentro da banheira tomando a minha ducha, porque fiquei com receio de sentar na banheira.

Em Nazareth visitamos diversos pontos do turismo religioso, e um deles foi a "La Fontana di Maria", na verdade o lugar estava todo pichado, e eu fiquei pensando em tal situação - um ponto onde deveria ser bem cuidado, havia vandalismo e desrespeito à história que ele representava! - aquele monumento marcava o possível lugar onde no século em que viveu Maria, era uma fonte de verdade, onde brotava água e ela ia ali buscar água para beber e usar em seus afazeres domésticos. Podemos perceber que o desrespeito à história acontece em todos os lugares, existem sempre os vândalos com suas visões conturbadas e conflituosas, acham que danificando patrimônios históricos, estão reivindicando olhares e atenção. 

A caminho do Mar da Galileia, localizado no Distrito Norte de Israel, se pode ver uma diversa vegetação que vai mudando de coloração e aspecto. Também se pode ver paisagens distantes, cenários que os olhos podem ver de uma maneira mais global e fazer um apanhado maior de informações, como por exemplo, ver uma vila inteira de casas.


É incrível a percepção de como às vezes nos surpreendemos com a variação cenográfica de outros lugares e regiões, e até nos familiarizamos com as características das paisagens e das pessoas. Podemos ver que nem são tão diferentes assim o quanto pensamos ser. Há uma engenharia da natureza, colocando tudo em ordem nos lugares. É a função da natureza, estabelecer a ordem da vida em todos os lugares.
Os israelenses dão muita importância aos temperos em seus alimentos, são bem administrados em suas refeições, podemos sentir até uma certa semelhança com os temperos da comida mineira no Brasil. Eu realmente apreciei muito.
Em momento livre para uma caminhada pelas ruas de Nazareth, passei por vários comércios de condimentos e frutos.

Muitos dos temperos que vi expostos à venda nos comércios, não conheço e nem sei em quais alimentos são usados. Porém, achei interessante as cores vivas de alguns deles, e a forma em que estavam disponibilizados para a venda ao cliente. Certamente, cada um deles, tem seu sabor único e deixa os alimentos mais ao gosto da culinária israelense.

Olhando todos os cenários por onde passei, com a curiosidade de quem já conhecia algumas passagens bíblicas onde se faz referência a determinados lugares na Terra Santa, enquanto eu viajava olhando pela janela do ônibus, me vinham à mente algumas reflexões.

É importante não ficarmos apenas com as imagens sugeridas pela teoria nos escritos que recontam toda a história bíblica, ver de perto é a constatação do que foi lido.

É possível buscar comparações com a história, e assim compreender a plenitude de tudo aquilo que alguém um dia escreveu.

É possível ainda, sentir em alguns dos cenários bíblicos, uma emoção e também um sentimento de comoção por tudo que aconteceu nos séculos que Jesus viveu.

Em Belém da Judéia, pude ouvir do quarto do hotel, às 5:00h da madrugada, o Almuadém fazendo o chamado, anunciando em voz alta a partir da torre de uma mesquita, a hora da prece. Naquele momento, eu não sabia o que significava, depois a guia que falava em espanhol, explicou do que se tratava.
É interessante ver a quantidade de turistas que fazem o trajeto da Terra Santa, são grupos de países do mundo inteiro em busca de conhecimento e fortalecimento da fé.

Existe um ponto tenso quando se faz a peregrinação na Terra Santa, que é a travessia saindo de Israel e entrando na Palestina, onde fica localizada a cidade de Belém, região da Judeia. Na fronteira, já saindo de Jerusalém, mesmo estando no trajeto liberado para o turismo religioso, os ônibus precisam parar, os turistas são instruídos a não fazer movimentos bruscos e também devem manter seus passaportes erguidos para serem vistos pela fiscalização. No dois momentos em que passei por essa experiência, não senti medo, fiquei um pouco apreensiva, claro, porque era uma experiência nova para mim, e como a guia havia nos alertado, deveríamos manter uma postura tranquila, que tudo daria certo. Na passagem de retorno, foi um pouco mais tenso, havia um ônibus detido e os turistas estavam todos sendo retirados de dentro dele. Não sei o que aconteceu depois, porque o nosso ônibus foi liberado e entramos novamente em Jerusalém, Israel.
Outra coisa que achei interessante, foi ver um senhor já idoso e o seu burrinho branco. O bichinho estava com seu dono "trabalhando", sim, o dono do burrinho cobrava dos turistas, 1 dólar por cada flash. Esse era o seu trabalho, cobrar fotos dos turistas.
Já o cafezinho que nos serviram no restaurante, não seu se era uma particularidade do restaurante que almoçamos, mas o garçom veio oferendo a cortesia do cafezinho e eu aceitei, mas pensem numa xícara enorme cheeeinha de café! Ele fez isso em todas as mesas, e eu que pensava que os brasileiros eram as pessoas que mais gostavam de café! Mas não é bem assim.

Foram muitas particularidades vivenciadas nessa viagem, como as Missas celebradas em Capelas e Igrejas locais por padres brasileiros, pertencentes aos grupos turísticos, ele reservam os locais para a celebração das Missas, isso torna mais forte os sentimentos cristãos. Também em uma dessas Missas, houve a renovação de votos matrimoniais de muitos casais que desejaram realizar essa cerimônia na Terra Santa.

Uma dos momentos que achei magnifico, foi ver o por do sol do alto do Monte Tabor, descendo atrás das montanhas, enquanto uma vila inteira, lá em baixo, era banhada pelos raios do sol da tarde, se pondo no horizonte.

Numa breve reflexão, posso dizer que, nenhum problema pode ser maior do que a beleza de viver e de ver a vida que existe em todas coisas.
Rozilda Euzebio Costa

 

Dorinha

 

Como é gostoso falar de borboletas, vem à mente aquelas asas todas desenhadas e coloridas, são artes da mãe natureza que nos apresenta tanta beleza naqueles pares pequeninos de asas nas costas das lagartas, que já não são mais lagartas, porque sofreram a chamada metamorfose de suas existências.

_ Vejam só, não é Dorinha?! Aquela lagartinha no galho da cerejeira?! E não é que ela está comendo as folhas do galho?! Será que quando virar borboleta, suas asas serão cor de rosa, igual as flores da cerejeira?!

Eram tantos os questionamentos que brotavam da mente do louva-deus, pousado no galhinho da amoreira.

Borboletas são seres incríveis e vivem uma metamorfose espetacular, elas nascem em todas as estações do ano, e em números bem maiores no verão e na primavera.

Já ouviram falar que, onde existem flores existem borboletas? Elas adoram sobrevoar as flores.

Dorinha era uma borboleta linda que nasceu na primavera, e que também adorava pousar nas flores do Sr. Sasuke, um jardineiro japonês que cultivava um imenso jardim, repleto de flores de várias espécies. Ele plantava flores para poder contemplar as borboletas. Algumas delas até recebiam um nome dado por ele, e uma delas era justamente, a Dorinha!

O Sr. Sasuke, cujo significado de seu nome é "aquele que socorre", vivia socorrendo lagartas e borboletas pelo jardim. Ele não media esforços para preservar os casulos, somente para ter a felicidade de ver dezenas de borboletas voando e pousando sobre as flores.

Na vizinhança onde vivia o Sr. Sasuke, havia até quem dizia que ele era um tipo de mágico, daqueles que tiram as coisas de dentro de uma cartola, sabe? Mas ele não tirava coelhos, flores ou coisa do tipo, dizem que ele tirava borboletas de todas as cores e tamanhos. Mas não era nada disso! Ele era apenas um bom jardineiro que amava a natureza. Ele cuidava da Dorinha e das outras borboletas com muito carinho.

Dorinha, de tão acostumada com o Sr. Sasuke, até pousava na mão dele, num gesto de muita confiança.

A natureza reconhece a bondade dos seres humanos pela maneira como eles a tratam.

Rozilda Euzebio Costa

O livro "Leituras Fantásticas", de Rozilda Euzbeio Costa

    " Leituras Fantásticas " é uma coletânea de Contos Infantojuvenis, da escritora Rozilda Euzebio Costa. É uma obra voltada para...